Em meio às tensões geopolíticas, o presidente dos Estados Unidos voltou a dizer que os EUA deveriam “tomar a Groenlândia” para evitar que China e Rússia se tornem vizinhas. A justificativa foi direta:

“Vamos fazer algo em relação à Groenlândia, gostem eles ou não. Se não fizermos, a Rússia ou a China tomarão conta dela, e não queremos a Rússia ou a China como nossos vizinhos.”

O problema é simples — e geográfico: os Estados Unidos já são vizinhos da Rússia.

Da China, não. Pelo menos por enquanto.

Sem essa clássica cegueira para mapas, essa obra-prima do absurdo estratégico dificilmente passaria sem questionamento.

Muitos americanos ainda imaginam a Rússia como algo distante, “do outro lado do mundo”. Mas a realidade é bem diferente: o maior país do planeta está a apenas 88 quilômetros da América do Norte, separado apenas pelo Estreito de Bering.Entre o Alasca (estado dos EUA) e a Sibéria (território russo) existem duas pequenas ilhas:

Big Diomede, pertencente à Rússia

Little Diomede, pertencente aos Estados Unidos

O detalhe mais curioso — e pouco conhecido — é que a distância entre essas duas ilhas é de apenas 4 quilômetros. No inverno, o mar congela, formando uma ponte natural de gelo.

Ou seja: em condições extremas, é possível atravessar a pé da Rússia para os Estados Unidos.

A Rússia não é um “vizinho em potencial”.

Ela já é país vizinho dos Estados Unidos.

O resto é retórica — e um mapa mal lido.

Hugo De Sá Peixoto

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