A China tocou na doutrina de 200 anos dos USA. O preço foi pago pelo Brasil.

Todo mundo está falando da guerra comercial entre USA e China.

Esta semana, a verdadeira frente dessa guerra se abriu em um lugar completamente diferente. No quintal dos USA, no Brasil.

Quem violou a regra foi a China, e o preço foi pago pelo Brasil.

Vou explicar.

Primeiro, é preciso entender qual é essa doutrina.

O 5º presidente dos USA, James Monroe, enviou sua mensagem anual ao Congresso em dezembro de 1823.

A essência da mensagem era uma única frase.

A América Latina é a esfera de influência dos USA, a interferência de outras potências na região é causa de guerra.

Essa frase entrou para a história como a Doutrina Monroe. Por 200 anos, foi uma das regras de política externa mais sólidas do mundo.

O único desafio sério à doutrina aconteceu em 1962.

A União Soviética decidiu instalar mísseis em Cuba. O resultado foi a Crise de Cuba.

Por 13 dias, o mundo ficou à beira de uma guerra nuclear. Os USA enviaram sua marinha e forçaram os soviéticos a recuarem.

Em duzentos anos, nenhuma potência conseguiu dobrar essa regra.

Em 2025, a China chegou.

Não trouxe tanques, não instalou mísseis, não enviou marinha. Apenas investiu.

Para onde foram esses investimentos?

Em energia renovável, empresas de mineração, infraestrutura portuária, ferrovias.

Ou seja, diretamente nas veias mais críticas da economia brasileira.

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ENTÃO, POR QUE A CHINA ESCOLHEU O BRASIL?

Há duas razões superficiais.

O Brasil é membro dos BRICS, um dos parceiros mais importantes na estratégia de independência do dólar da China.

Além disso, desde que assumiu, o governo Lula se inclinou para a China, visitando o país várias vezes.

Mas essas são superficiais.

A razão real é muito mais crítica.

O Brasil se transformou em uma potência de recursos que a maioria das pessoas não percebeu.

Hoje, cerca de 88% da eletricidade do Brasil vem de fontes renováveis. A média mundial é de cerca de 30%.

Mas não para por aí com energia limpa. Com grandes reservas submarinas, o Brasil também é um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo.

Sobre essa estrutura energética, há ainda a mineração.

O Brasil é um dos maiores produtores de minério de ferro do mundo. A matéria-prima básica da indústria siderúrgica chinesa está bem aqui.

Mais um dado.

Existe um metal estratégico chamado nióbio, crítico para alta tecnologia, defesa e indústria espacial. 85% do nióbio produzido no mundo sai do Brasil.

Líder em energia renovável, produtor de petróleo, centro de minério de ferro, fonte de minerais críticos.

Para a China, um único país, porta de entrada para quatro recursos críticos separados. É por isso que o Brasil foi escolhido.

E qual foi a resposta dos USA?

Esta semana, impuseram 25% de tarifa ao Brasil. No papel, o motivo era comercial.

Mas o verdadeiro problema é outro.

O Brasil está abandonando o dólar e se voltando para a China. Lula diz abertamente que não ficará dependente dos USA.

Qual foi o resultado?

Quando os USA bateram a porta com força, o Brasil a abriu completamente para a China. E a China preencheu o vazio instantaneamente.

Ou seja, a punição foi dada ao Brasil, mas quem saiu ganhando foi a China.

Há um ponto muito importante aqui.

Há 20 anos, a China joga GO no mapa-múndi. Devagar, colocando uma pedra de cada vez.

Primeiro, colocou pedras na África.

Construindo portos, ferrovias, redes de comunicação. Hoje, a China é o maior parceiro comercial da África.

Depois, estendeu-se a outros continentes.

Agora, é a vez da América Latina. No quintal dos USA, considerado intocável há 200 anos.

Quem olha para o tabuleiro vê cada jogada uma a uma. Mas, quando as jogadas se conectam, o quadro que emerge é muito maior.

Sun Tzu disse: “Saia não de onde o inimigo espera, mas onde ele menos espera”.

Xi Jinping transformou isso em uma doutrina.

Enquanto todos vigiavam a porta da frente, ou seja, a guerra comercial, a China entrou pela porta dos fundos. Pelo jardim que os USA consideravam intocável há 200 anos.

Sem disparar um único tiro. Apenas colocando sua pedra.

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Texto do analista geopolítico turco Nusret Köseoğlu.

Postdo por

Cristovão Feil

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