O STF entra em uma semana decisiva — e o caso Banco Master chega ao centro do plenário da Corte. O presidente do Supremo, Edson Fachin, determinou a suspensão do caso relatado por André Mendonça e convocou uma sessão extraordinária para 15 de setembro, na qual os ministros deverão analisar o relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo Alexandre de Moraes.

O documento, produzido a pedido de Mendonça, reúne 218 páginas e foi tornado público após o ministro retirar o sigilo. As mensagens recuperadas do celular de Vorcaro mostram contatos e pedidos direcionados a um número identificado pela PF como pertencente a Moraes. O material, entretanto, não permite concluir sozinho quais teriam sido as respostas de Moraes nem comprova que os pedidos do banqueiro foram atendidos.

Agora, o plenário terá de enfrentar uma questão ainda mais delicada: a validade da própria investigação conduzida por Mendonça. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou a forma como o relatório foi produzido e defendeu sua anulação, alegando que uma investigação contra ministro do STF deveria ter autorização adequada do próprio Tribunal ou iniciativa do Ministério Público.

A crise também envolve diretamente o comando da Polícia Federal. Fachin suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino sobre a cúpula da PF e determinou que procedimentos envolvendo possíveis investigações contra ministros do Supremo sejam encaminhados previamente à Presidência da Corte.

O que está em jogo, portanto, vai muito além de uma disputa entre ministros. O plenário terá de decidir se o material produzido pela PF poderá sustentar uma investigação contra Moraes, enquanto o próprio STF tenta impedir que a guerra interna entre seus integrantes se transforme em uma crise institucional ainda maior.

A pergunta agora é inevitável: o plenário vai abrir caminho para uma investigação sobre Moraes ou validar os argumentos da PGR contra o procedimento de Mendonça?

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