
Hoje o Bar Ocidente completa 45 anos de existência. Quarenta e cinco anos alegrando as noites e dias ali na esquina da João Telles com a Av. Osvaldo Aranha, no coração do Bom Fim. Data querida para todos aqueles frequentadores assíduos ou esporádicos, mas que como eu, se rendem ao charme e encanto de um dos melhores e mais longevos espaços culturais da cidade. Ali onde se come muito bem no almoço, se encontra diversão e arte nas noites e se pode dançar à vontade, até altas horas da madrugada regadas a ótima música.

O Ocidente nasceu desta vontade de criar um espaço cultural diverso que abarcasse a cultura local desde as bandas de rock emergentes ou consagradas, passando por apresentações teatrais e musicais de múltiplos gêneros, bem como um espaço para beber e extravasar a alegria, libido, liberdade e a potência da juventude Porto Alegrense. O mentor desta ideia, Fiapo Barth, reconhecido diretor de arte e colaborador em tantos espetáculos e filmes produzidos na cidade em pareceria com a jornalista, estilista e produtora de moda, Rô Cortinhas, acharam e alugaram o espaço onde nasceu esse espaço cultural icônico vocacionado para apresentar as melhores novidades ao público.

Fundado em 03 de dezembro de 1980, ele carrega no seu DNA a loucura e irreverência típicas daqueles anos de início de abertura política e efervescência juvenil de quem precisava respirar novos ares e imprimir desejos de liberdade e arte. Eu tinha 18 anos, na época, e recém iniciava a minha trajetória teatral ao lado de Antônio Carlos Falcão, Carla Danese, Xico Leiria e Vera Lúcia Bertoni. Eu e meus ilustres colegas frequentávamos o Bar Ocidente na hora do almoço e a noite. Os almoços do Ocidente eram ao melhor estilo natureba, com arroz integral e gergelim, salada e acompanhamentos integrais deliciosos. De sobremesa, não me esqueço da sua torta de banana e maçã, digna dos Deuses. Um burburinho agradável, tomava conta do amplo salão e a vista para as palmeiras centenárias da Osvaldo Aranha e o Parque da Redenção. À noite, entrando pela lateral da João Telles, se subia a escadaria de madeira que abria para o salão com suas mesinhas dispostas ao redor dos janelões de vidro. Eu namorava o músico e diretor teatral, Léo Ferlauto, com quem chegava de moto naquele lugar sui gêneris e encantador. Ali encontrava com gente que acabou ficando amiga para sempre como Paulo Vicente, Carlos Grassioli, Ana Lombardi, Glaci Salousse Borges, Amanda Costa, Leila Bairson, Beto Zambonato, Luiz Antônio Corazza, Flávia Moraes, Guto Pereira, Déa Martins, Júlio Conte, Lui Strassburger e Ana Bach, Zé Adão Barbosa, Carlos Gerbase e Luciana Tomasi, Sérgio Lulkin, Marco Fronchetti, Dedé Ribeiro e Bebeto Badque, Oscar Simch, Pedro Santos, Marta Biavaschi, Cleide Fayad, Cristian Lesage, Carlos Couto, Paulo César Marques, Nelsinho Magalhães, Marley Danckwardt, Fabiano Menna, Zanza Pereira, Angela e Bebela Baldino, Verlaine Pretto, Pena Cabreira, Ana Luiza Azevedo e Giba Assis Brasil, João Volino, Liz dias e Silvia Guerra Machado entre tantos outros.

Minha carteirinha, na época, era um charmoso documento com um céu estrelado com o número 11. Fui uma das primeiras sócias da nova e bem-sucedida empreitada. Frequentei o Ocidente na febre juvenil dos meus 18 aos 23 anos, semanalmente, e era sempre um prazer rever amigos, beber e conversar animadamente enquanto a casa enchia. Assisti shows e eventos teatrais ao longo de muitos anos. Numa época, eu e o Grupo Tear, ensaiamos no bar nas tardes de sábado e domingo, quando estava fechado. Lembranças lindas se misturam na minha imaginação. Já fui a algumas festas de aniversário do Ocidente que sempre rendem grandes reencontros regados a vinho e comida boa, além de uma playlist variada para sacudir o esqueleto sem medo de ser feliz!
Hoje, minha filha, Valentina, segue a tradição da família e frequenta o Ocidente com regularidade, se divertindo com amigos e amigas na sua juventude plena de entusiasmo e alegria. Sim, essas são palavras chaves que não saem de moda e dão a tônica deste ambiente mágico que segue animando os dias e noites do nosso glorioso Bom Fim!

Como bom nativo do signo de sagitário, esta referência cultural tem as bênçãos de Júpiter e sua natural vocação para a festa, alegria, comunicação e a expansão do comportamento. Que siga firme e forte através dos tempos embalando gerações de fãs e admiradores que insistem em gozar da liberdade, alegria e celebração da vida!
Meus parabéns pela sua linda história! Viva o Bar Ocidente!!!
Porto Alegre, 03 de dezembro de 2025.

Eleonora Prado