
Uma das principais publicações do mundo voltadas à indústria do entretenimento, a Variety publicou nesta quarta-feira (7) uma reportagem sobre os impactos da eleição presidencial brasileira no futuro do cinema nacional. Fundada em 1905, a revista acompanha há mais de um século os movimentos da indústria audiovisual e é reconhecida internacionalmente por sua cobertura de cinema, televisão, negócios e mercado do entretenimento.
O texto foi publicado durante o Festival do Rio, um dos principais eventos do cinema brasileiro, e coloca a eleição no centro das discussões sobre os rumos do setor. A reportagem lembra que o cinema brasileiro chega a este momento após uma sequência de resultados internacionais, com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, premiado em Cannes e com forte presença na temporada internacional de premiações.
Segundo a Variety, esse momento de projeção internacional está ligado também à retomada das políticas públicas para o audiovisual durante o governo Lula. A reportagem destaca a reconstrução dos mecanismos de financiamento e incentivo ao cinema e contrasta esse cenário com o período de Jair Bolsonaro, marcado pela interrupção de políticas e pela redução do apoio público ao setor.
A Variety reúne produtores, diretores e representantes do setor que avaliam que uma mudança de orientação nas políticas culturais poderia afetar mecanismos públicos fundamentais para a produção audiovisual. A produtora Paula Cosenza, por exemplo, classificou à revista uma eventual volta do grupo político que governou o país entre 2019 e 2022 como uma ameaça ao setor cultural.
A reportagem também menciona Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel, no contexto das investigações envolvendo o financiamento do filme. Segundo documentos da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro teria atuado diretamente nas negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação apura a origem e o destino de recursos destinados à produção. Flávio confirmou ter buscado financiamento privado para o projeto e nega irregularidades.
