A história do homem sobre a Terra é a história de assassinatos, violências, estupros, torturas, extermínios, genocídios. Vimos corpos enfileirados no asfalto, mortos pela polícia. Alguns sem cabeça. Quem mandou matar disse que era preciso e nós acreditamos. Alguns de nós até aplaudiram. Vimos mais de 40 mil pessoas serem mortas na paisagem de frente para o mar azul. Muitas morreram de fome, outras com balas de metralhadoras, outras sobreviveram, mas perderam tudo, mãe, pai, marido, esposa, filhos. Viram seus amores sendo assassinados, viram mísseis destruírem tudo o que construíram e amaram e um dia acharam que era deles, o lugar de pertencimento.

Vimos cidades inteiras serem destruídas pelo mundo. E nos arrancarem aos poucos a vida que acreditávamos que seria daquele jeito para sempre. Uma bomba levava um pedaço da nossa sala e lá se iam janelas, cortinas, sofás, a televisão, os retratos da família. E de alguma forma agradecíamos e torcíamos para que parasse por ali, afinal nos sobraram os quartos, a cozinha, o banheiro…

Não podíamos acreditar que nos matariam por causa de religião.

Assistimos à perseguição da polícia a cidadãos que até então se sentiam protegidos onde viviam. Vimos a polícia decidir na rua quem vai viver, quem vai morrer. Como aconteceu na Alemanha de Hitler, como acontece hoje nos Estados Unidos de Trump. E alguns de nós continuam a aplaudir a morte.

A nossa história é a história da barbárie. Somos os destruidores das florestas, das águas, das terras, do ar, dos bichos, das gentes.

Se alguém de fora da Terra nos olhasse não saberia distinguir os torturadores que mataram o cachorro “Orelha”, de tantos outros assassinos e de todo o resto de nós humanos. Aos olhos deles seríamos todos iguais.

Me arrepio com essa música Barcarolle: belle nuit e nessa hora volto a sentir alguma salvação para a humanidade.

Neide Duarte

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