
Para quem assistiu ao Fantástico, coube ao jornalista Felipe Santana dar o anúncio com aquela cara de quem quer comandar a opinião, antes mesmo da notícia ser dada: “Khamenei, assim como o pai, chama os EUA de Grande Satã e Israel de pequeno Satã. Portanto, não haverá diálogo”.
A grande imprensa sempre constrói narrativas que estão de acordo com o fato que elas querem montar. Se estivéssemos em Roma, Trump seria o Imperador, aplaudido, e os iranianos, os bárbaros.

Khamenei não quer dialogar com os EUA e com Israel por ser um “inimigo da civilização ocidental” ou um “antissemita”, como rezam as grandes agências de notícias. Ele não quer dialogar porque há uma semana, o pai, chefe de Estado, foi assassinado em Teerã e até agora, 2 mil civis já foram oficialmente dados como mortos, sendo 165 crianças em uma escola. E diante deste horror, e do embargo econômico, que deixa o país sem alimentos e sem remédios, o que a grande imprensa não discute, e não critica, é a chegada de mais caças, helicópteros e misseis dos EUA. Tudo isto porque Trump e Netanyahu querem o petróleo.
Não adianta para esta gente da imprensa, e quem os segue, dizer que no Irã, “onde as mulheres não podem estudar”, elas ocupam 60% das vagas em universidades. Também não adianta lembrar a eles que, no meio dos “fundamentalistas”, há cristãos e judeus (no Irã, há liberdade de credo, sendo vedada somente a manifestação em espaço público). Não adianta dizer, também, que na “Ditadura” iraniana, há eleições diretas, mais seguras do que as americanas, que são indiretas. E também que, “bárbaros”, eles produzem um dos melhores cinemas independentes do mundo.
O que a grande mídia tem a dizer é o que Washington quer que seja dito. E as vezes seria mais legal, ler logo o informativo da Casa Branca.
Afinal, os nossos jornalistas coincidentemente nunca discordam da visão dos Estados Unidos. Não há um lapso sequer de brilhantismo crítico, ou no mínimo, ponderação. É uma imprensa completamente atada.
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Fabiano da Costa.