
Seu jeito era de espreita, quase taciturno. Falava em tom baixo, ao cofiar suas longas barbas, ao ler a pauta. Falava para si mesmo, como se estivesse da redação, imaginando as imagens, ” acho que isso rende, quem vai ser o repórter?”. O Celinho, como era chamado por alguns de maneira carinhosa, era um exímio, também repórter cinematográfico. Tinha faro. E dava palpites, no texto do repórter, quando achava que o texto estava aquém das suas imagens. Também gostava de ensinar. Era sindicalista, de esquerda, e extremamente politizado. Falso, engano, quando se fez a TV Globo/ Bauru, foi para lá ensinar, ao lado da editora Neusa Rocha . Um dia fui fazer uma chamada passagem numa reportagem sobre um projeto do publicitário Carlito Maia, um torneio de futebol, só com os chamados office-boys, ” Futboys”. Terminada a matéria, era para o Esporte Total na TV Globo, 1979, fui gravar um teaser, ou uma chamada passagem. Escolhi um lugar que me pareceu mais adequado, de um campo varzeano, tentando tirar um lixão ao fundo, do quadro. O Célio me pergunta: ” Você vai reportar a verdade”?- Claro, Braga! Então aqui, com o lixão ao fundo. Fale sobre o torneio, exalte, mas nunca esconda a realidade”. Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro