Relações que, em grande medida, já eram conhecidas publicamente. A novidade foi a dimensão dos elementos revelados e a participação de Moraes na análise da minuta contratual. Algo que em si não é ilegal, mas que, me parece, merece investigação. E se isso merecer investigação, o filho de Nunes Marques também terá que ser investigado, e assim por diante, em efeito dominó.

Acontece que, numa guerrilha institucional, ataques desse tipo geralmente só deixam de ser meramente ritualísticos e passam a ser concretos, frontais e decisivos quando quem os desencadeia acredita ter nas mãos uma bala de prata. Mendonça, porém, crente que é, parece ter acreditado demais no próprio taco, e subestimado o tamanho, o alcance e, sobretudo, o poder de fogo do adversário.

Moraes não surgiu ontem. Foi secretário de Justiça, ministro da Justiça e hoje integra o STF. Como qualquer personagem que percorreu esses centros de poder, acumulou relações, interlocutores e aliados – inclusive nos aparelhos de investigação e segurança do Estado.

E, ato contínuo, começaram a aparecer também as relações de Mendonça e de outros personagens do universo político com Vorcaro.

A estranha jogada de xadrez de Mendonça pode ter produzido um primeiro estrondo. Mas a explosão política de verdade virá depois: quando o caso chegar ao Plenário e as atuais correlações de força forem submetidas à luz pública.

Isso provavelmente deve tirar o sono de Rachadinha e da turma do Dark Horse. A blindagem que Mendonça produziu para proteger o filho do presidiário e toda extrema-direita, pelo jeito, logo desmoronará, graças ao precipitado enxadrista crente.

Há cheiro de xeque-mate no ar…

Sergio Alarcon

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