Dori Carvalho

Do Alfredo, aquele: ‘Jamais esqueço do dia em que o Caco Barcellos, ao vivo, na GloboNews, reduziu Eliane Cantanhêde a pó de bosta. ‘Como você vê o jornalismo hoje, Caco?’, quis saber Cantanhêde, na ilusão de que ele seria corporativo e passaria pano. ‘Vejo o jornalismo cada vez mais declaratório’, respondeu o Caco. Tentou ser educado, mas deixou bem claro, na lata da ‘companheira’, que o jornalismo que todo jornalista deveria fazer na rua, a gastar a sola do sapato, havia sido substituído pela cagacão de regra, pelos achismos, mentiras e PowerPoints canalhas que tomaram conta das redações. Um jornalismo preguiçoso, que não tira a bunda do sofá, mas que se comporta como se soubesse de tudo e de todos. E que tinha em Cantanhêde um dos piores exemplos. Eu diria que o Caco ainda estar na Globo depois de tantos anos é um milagre. Ele não é apenas o melhor – talvez o único – repórter de verdade que restou por lá. Caco Barcellos é uma espécie de voz da consciência dos que se portam como celebridades, influenciadores ou formadores de opinião. Sim, Mervais e Andréias Sadis Dallagnol formam a opinião de muita gente! Misericórdia! Para eles, Caco é um incômodo, se é que me entendem. Enfim, é o seguinte: Caco Barcellos está no Irã, nas ruas, nos enterros dos mártires, a cobrir a matança praticada por Estados Unidos e Israel. Caco não está num telhado do Vaticano, muito menos no escritório confortável da Globo em Nova York ou Londres, a chupinhar informações e imagens de agências internacionais pra fechar matérias, apenas com o trabalho de gravar passagens. Caco não dá só a cara pra bater. Em nome do JORNALISMO, oferece o corpo às bombas e aos tiros. Caco, querido, amo você, tanto quanto amo teu filho, o Ian, excelente repórter cinematográfico! Se eu puder te pedir algo, volte inteiro e em paz!

Marise Fetter

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