Durante investigações arqueológicas no município de Cedeño, na Venezuela, pesquisadores encontraram petróglifos — um tipo de arte rupestre esculpida em pedra por populações pré-históricas — com estimativa de idade entre 4 mil e 8 mil anos. O achado é considerado um dos mais antigos da região leste do país, e o que surpreende os especialistas vai além da antiguidade: os padrões encontrados podem pertencer a uma cultura até então completamente desconhecida da ciência.

Os petróglifos são compostos principalmente por motivos geométricos: linhas de pontos, filas de X, padrões em forma de estrela e figuras humanas desenhadas como bonecos de palito, esculpidas com o que parecem ser ferramentas de pedra afiada e martelos líticos. As gravações são predominantemente vermelhas e guardam alguma semelhança com arte rupestre encontrada no Brasil, mas apresentam características suficientemente distintas para que o líder da equipe, o pesquisador José Miguel Pérez-Gómez da Universidade Simón Bolívar, as classifique como possivelmente pertencentes a “uma nova cultura até então desconhecida”.

Junto aos petróglifos, foram encontrados fragmentos de cerâmica e ferramentas de pedra que podem ter sido usados pelos próprios autores das gravações, abrindo a possibilidade de datação mais precisa e de reconstrução do cotidiano desse povo. Análises laboratoriais complementares estão em andamento para determinar com mais exatidão a faixa temporal e a origem étnica dos autores.

A descoberta foi apresentada originalmente no Congresso de Arte Rupestre Pré-Histórica e ganhou atenção renovada com a publicação de novos registros fotográficos.

Oito mil anos gravados em pedra — esperando para serem lidos.

Trajetoriatop 

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