Com todas as suas contradições e sem entrar no mérito de suas subjetividades, Vargas é o maior dos brasileiros.

Nesta data, em 1954, saiu da vida para entrar na História, como denúncia de um golpe de Estado que foi adiado para 1964.

É muito curioso como certos indivíduos – inclusive os de esquerda – avaliam o grande Getúlio Vargas. Muitos o tratam como “ditador”, ainda que manifestem admiração.

Outros, um reles “autoritário”, ignorando que GV foi um indivíduo que fez aquilo que a mal denominada “burguesia nacional” deveria ter feito, qual seja, a revolução burguesa, modernizante, que superasse o atraso opressor do nosso País antes de 1930. Não só opressor, mas baseado em valores aprendidos do odioso período de 300 anos de escravagismo – e que vigem até hoje, 24 de agosto de 2026.

Ora, essas pessoas não conseguem intuir que a democracia no Brasil anos 1930, não era ainda uma consigna de valor universal, como hoje. A exigência de democracia – ainda que mitigada e incompleta baseada apenas no voto popular a cada dois anos – é muito recente na nossa história.

Pois bem, estas mesmas personalidade que olham GV de viés crítico não têm um grão de crítica aos milicos que deram um golpe vexaminoso em Pedro II, e inaugurando um arremedo de república com todos os vícios e corrupções que conhecemos hoje.

Tiveram a cooperação de um baiano vagabundo chamado Rui Barbosa, um tipo que se dizia “civilista”, mas passava o tempo inteiro bajulando milico e publicando artigos de uma prosa repugnante e rebuscada em favor de uma imagem pública que copiava o conto de Machado de Assis, em “Teoria do medalhão” (de 1881), abaixo trecho do pequeno conto de Machadinho.

“Convém não esquecer que as ideias são mercadorias de concorrência, e que o segredo de as vender bem está na escolha daquelas que toda a gente traz na cabeça.

Não te importes que sejam velhas; as velhas são as melhores, porque são as mais conhecidas.

O que deves evitar é a originalidade; a originalidade é um perigo, uma extravagância, um pecado.

Para o que queres ser, o melhor método é adotar as ideias dos outros, e vesti-las com as tuas próprias palavras, se não preferires as próprias palavras dos outros, que é ainda mais seguro.”

Cristovão Feil

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