
Há seis anos eu comemorava o Natal com Thais Camilla e Nadir das Neves, olhando o Brasil, de Nova York. Hoje, silencio sem desejar festa, e olho o Natal passar da minha casa, na Praia Grande, com os olhos no mar, displicente, quieto como eu, mas querendo me dizer o que eu não consigo traduzir. Antes e hoje, o Brasil se esgarçou e virou fome e ódio. Contudo, a esperança berra, chama-se vida. Há um gigantismo na magia da mudança pouco visível, mas há. Eu como e bebo vida, e me mato pra viver. Apesar dos brutos, dos criminosos, dos desumanos, dos ladrões – oficiais e clandestinos -, vagabundos e altos políticos, há, e creio, com a inocência do poeta iludido, mantendo a ilusão, que nesse século XXI existem mais homens e mulheres do bem, do que na época de Jesus, talvez, há resistência. Há muito mais gente nobre, desgarrada, eu sei. Juntos, não vamos permitir um repetido assassinato de Jesus, embora o obstáculo dos mentirosos. Ele vive nas flores, nos meninos e meninas nos parques e sob as pontes, nas mães que choram os filhos com fome e nus, nos vulcões e montanhas, e nas mulheres que, junto com a terra, ensinam a florescer sementes. Conseguiremos retomar a terra para nós? Eu não sei, não sou convicto, depois que bárbaros matam sem piedade, os ucranianos. Para nossos netos, o que deixaremos? E para o amor, seremos corajosos? Os canhões, os fuzis, os ditadores, não conseguiram derrotar o amor, por enquanto. O amor é o anjo da vitória, e galopa a poesia, essa, uma louca indomável. E Jesus nasce todo dia, desesperado…Ele nasce no caminho de quem caminha. (A noite em Nova York era fria, e estrelada).
A fotografia é de Thais Camilla
