




Pode até parecer muito para quem olha de longe, mas não é nada para quem segue nesse caminho pela nossa Terra linda e redonda.
75 não é nada diante da sumaúma de mil anos na floresta amazônica na beirada do Tapajós.
75 não é nada diante das abelhas cristalizadas no âmbar há 100 milhões de anos.
75 é muito pouco para conhecer tantos encantos deste mundo.
O polvo tem 3 corações. Para compensar a falta de pescoço, algumas aranhas têm até 8 olhos.
O andorinhão passa os primeiros 3 anos de vida sem nunca tocar os pés na Terra, come, dorme e acasala em pleno voo.
As borboletas-monarca viajam do Canadá até o México no inverno e depois voltam ao Canadá no verão. Uma borboleta-monarca dura apenas 2 meses, muitas morrem na viagem. As descendentes delas completarão a travessia, às vezes até a quarta geração. Nem a morte interrompe a viagem épica. É a natureza delas.
No Polo Norte, no meio do gelo, fica o Cofre do Apocalipse. Se um dia conseguirmos destruir a Terra ali estarão preservadas mais de 1 milhão de amostras de sementes de plantas que nos alimentam.
A abelha é o único inseto que produz alimento pra gente comer.
Nós herdamos a Terra dos répteis.
A água que bebemos hoje é a mesma que bebiam os dinossauros 65 milhões de anos atrás.
Comecei a pensar nessas coisas não só pelo aniversário de 75 anos, mas depois de assistir o Frankenstein do Guillermo del Toro, um dos melhores filmes que vi na vida.
A epifania aconteceu quando a criatura intima o criador, Victor Frankenstein: “você me deu a vida, agora tem que me dar a morte”.
A criatura compreende que ser imortal é deixar de se reconhecer, é não ter lugar no mundo. É na relação com os outros que forjamos nossa identidade. Se nossos companheiros de vida desaparecem vai desaparecendo também o que fomos, o que somos, como somos. Até o esquecimento. A morte é uma benção e agradeço minha mãe que me deu a vida e junto com ela me deu a morte. A vida é estrangeira e bela.






Neide Duarte