
O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro disse em proposta de delação que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022 foi, na verdade, o pagamento de propina negociada pelo presidente nacional do PSD e atual candidato a vice de Ronaldo Caiado (GO), Gilberto Kassab. Segundo ele, além desses R$ 5 milhões doados oficialmente, outros R$ 10 milhões foram pagos a Kassab através de caixa 2. O dinheiro foi pago em troca da manutenção de contrato do cartão de crédito Credcesta, do Banco Master, com o governo do estado de São Paulo. O cartão é oferecido a servidores públicos pela PKL One Participações, empresa ligada ao Master e ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.
O contrato foi assinado originalmente em março de 2022, na gestão do governo João Dória. “Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, afirma o banqueiro na proposta de delação.
De acordo com Vorcaro, Augusto Lima se aproximou de Kassab, que depois se tornou secretário de Estado do governo Tarcísio, para garantir a manutenção do contrato de empréstimo consignado.
Ainda segundo a delação, o acordo com Kassab estabelecia o repasse de 5% do lucro líquido de operação do Cresdcesta, além de dinheiro para campanhas de candidatos do PSD e outros partidos. “O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”, aponta a delação.
Segundo o banqueiro, as “doações eleitorais (eram) exigidas em contrapartida à continuidade do programa Credcesta no Estado de São Paulo”.

BFC