
Mais de 12.000 hectares devastados
A Patagônia argentina enfrenta a mais grave tragédia ambiental registrada na região em pelo menos duas décadas. Incêndios florestais de grandes proporções já devastaram mais de 12.000 hectares apenas na região andina da província de Chubut, provocaram a evacuação de ao menos 3.000 pessoas, destruíram casas, áreas produtivas e avançaram sobre florestas nativas de altíssimo valor ecológico.
O desastre ocorre em meio a um forte desmonte do orçamento ambiental promovido pelo governo do presidente Javier Milei, que reduziu drasticamente os recursos destinados à prevenção e ao combate a incêndios florestais, segundo dados oficiais.
De acordo com balanços consolidados por governos provinciais, os focos mais severos concentram-se nos arredores de El Hoyo, Epuyén e Puerto Patriada, na chamada Comarca Andina do Paralelo 42. Autoridades locais classificam o episódio como o mais destrutivo desde o início dos anos 2000, superando incêndios registrados em 2015 e 2021, tanto em área queimada quanto em impacto social e ambiental.
Embora incêndios florestais façam parte do histórico ambiental da Patagônia, especialistas alertam que a recorrência e a intensidade dos episódios aumentaram de forma significativa nos últimos anos, em um contexto marcado por mudanças climáticas, estiagens prolongadas e falhas estruturais nas políticas de prevenção.
O incêndio histórico na Patagônia ocorre em um momento de enfraquecimento profundo da capacidade estatal de resposta. O Serviço Nacional de Manejo del Fuego, órgão federal responsável por coordenar a prevenção e o combate a incêndios florestais na Argentina, sofreu subexecução orçamentária em 2024, quando o governo nacional utilizou apenas cerca de 22% dos recursos aprovados para o ano, segundo análises baseadas em dados da Oficina Nacional de Presupuesto.
Além disso, a Patagônia aparece como uma fronteira estratégica do extrativismo, cobiçada por projetos de mineração, energia e grandes empreendimentos, em um cenário no qual o Estado reduz sua capacidade de regulação, fiscalização e resposta a desastres ambientais.

Brasil De Fato