
A FÁBRICA BRASILEIRA FUNDADA EM 1729 QUE AINDA FUNCIONA ATÉ HOJE
Pare por um instante e imagine o Brasil no ano de 1729. Ainda éramos colônia de Portugal, não existia eletricidade, o transporte era feito por animais e a Revolução Industrial sequer havia começado na Europa. É nesse cenário que nasce uma das histórias industriais mais impressionantes do país: a Usina Petribu, localizada em Pernambuco.
Fundada por Cristóvão Cavalcanti de Albuquerque, a Petribu começou como um engenho de madeira movido à força animal. O que ninguém poderia prever é que quase três séculos depois, a usina continuaria em funcionamento ininterrupto, sendo reconhecida como a usina de cana-de-açúcar mais antiga do mundo em atividade contínua.
Ao longo do tempo, a empresa atravessou períodos históricos decisivos: Brasil Colônia, Império, República, duas guerras mundiais e inúmeras transformações econômicas. Em 1909, a Petribu deu um salto tecnológico ao substituir a tração animal pelo vapor, incorporando processos industriais modernos para a época — uma virada que garantiu sua sobrevivência.
Hoje, o que impressiona não é apenas a idade, mas a capacidade de adaptação. A usina investe em biotecnologia, eficiência energética e sustentabilidade, utilizando subprodutos da própria cana para gerar energia limpa e reduzir desperdícios. Sistemas avançados de irrigação e reaproveitamento de resíduos fazem parte da operação atual, mostrando que tradição e inovação podem caminhar juntas.
Outro ponto de destaque é a gestão familiar, mantida ao longo de gerações. Em um país onde muitas empresas centenárias não resistiram às mudanças, a Petribu se mantém como exemplo de longevidade empresarial baseada em adaptação, planejamento e visão de longo prazo.
Além da relevância econômica, a usina é parte importante da história de Pernambuco e do Brasil. Ela ajuda a contar como o país se desenvolveu, como a indústria evoluiu e como o conhecimento técnico foi sendo incorporado ao longo dos séculos.
É um lembrete poderoso de que longevidade não vem da resistência ao novo, mas da capacidade de se reinventar sem perder a essência.
Fontes:
Fundação Joaquim Nabuco;
Acervo histórico de Pernambuco;
Reportagens da BBC Brasil e Estadão.

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