
O saudoso rapper já anunciava, logo de cara na canção: ” O rap é compromisso, ladrão, não é viagem, esse papo tá esquisito, aqui Sabotage…” Por ironia, o apelido do garoto negro, pobre, nascido na Favela do Canão, Brooklin, São Paulo, chamado Mauro Mateus dos Santos, era Sabotage. Por um motivo literalmente infantil, familiar: menor de idade, para entrar nos bailes, assistir filmes para maiores no cinema, pegava escondido o documento do irmão mais velho, o Deda, que quando descobriu disse: ” Tá fazendo muita
“sabotage””! – E de tanto falar, pegou na roda. Pois o artista, assassinado em janeiro de 2003, no auge do sucesso, inclusive no cinema, ficaria indignado e, certamente, mandaria sua fala rítmica para expor tanta sabotagem dos ladrões que concorrem ou venceram as eleições de 2026. Encontrei um conhecido no bar da esquina do meu condomínio. Numa mesa da calçada. Tenho que passar rente, em direção à farmácia defronte. Ele me chama aos berros. Já não gosto. Me convida para beber. Ele se levanta. Alto e forte. Uns doze anos mais novo que eu. Respondo que ele já sabia que tinha deixado de beber já há quase 4 anos, tirando sua mão que segurava meu braço. Detesto que peguem em mim. Principalmente homem bêbado. Mulher também. Ele vê a estampa do Mano Brown na minha camiseta: ” Continua gostando de música de preto favelado!”. Sim, e não suportando branco remediado idiotizado!”. Ele ri. ” Continua o mesmo…Gilsão! “Leio as coisas que você escreve!” Que bom, achei que você só sabia ver figura, ou ver vídeo…- ” Vá se foder! ( rindo). “Por que você não faz um vídeo defendendo o Lula?”. Olha cara, não sou importante, nem influenciador, coisa que não valha. ” Você tá com medo!”. Você sabe, me conhece, não tenho medo de urubu e otário! Só um pouco de asco. E esse papo tá esquisito…Deixe eu ir. Ah…minha familia não ia gostar, acho. Mas vou pensar. Só para contrariar. Quem quer que seja. Sou independente demente! Um abraço. Sem babar em mim. Risos.
Segui em frente. Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro