O vice-presidente dos USA, JD Vance recentemente fez um comentário sobre a China.

A parte mais engraçada do discurso de JD Vance é o final:

“Estou com raiva do ascenso da China, mas estou mais com raiva de que a liderança americana tenha deixado isso acontecer.”

Deixado acontecer?

Como se o ascenso da China fosse um erro administrativo americano.

Como se 1,4 bilhão de pessoas tivessem se industrializado porque Washington esqueceu de trancar a porta.

A China foi sancionada, contida, difamada, tarifada e estrangulada tecnologicamente.

E ainda assim se tornou a economia industrial mais forte do mundo.

A Índia tinha a população.

A Índia tinha o inglês.

A Índia teve acesso mais cedo à OMC.

A Índia tinha aprovação ocidental, marca de “democracia” e décadas de cortejo geopolítico.

O capital ainda escolheu a China.

As fábricas ainda escolheram a China.

As cadeias de suprimentos ainda escolheram a China.

Por quê?

Porque a civilização não é construída bajulando Washington.

Ela é construída por infraestrutura, disciplina, engenheiros, trabalhadores, logística, eletricidade, educação e capacidade estatal.

Os próximos dez anos da América não se tratam de competir com a China.

Essa fase já acabou.

A América agora está competindo com a Índia para ver quem decepciona o capital menos.

O verdadeiro oponente da China nunca foi a América.

O verdadeiro oponente da China é sua própria execução, sua própria disciplina, sua própria capacidade de continuar construindo sem acreditar no barulho ocidental.

Vance está com raiva porque a China ascendeu.

Mas o que realmente o humilha é isto:

A América tentou impedir isso.

E a China ascendeu mesmo assim.

Texto de @OopsGuess.

Cristóvão Feil

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