
A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) está analisando um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto, em 22 de agosto de 1976, por ação do Regime Militar. Para a historiadora Maria Cecília Adão, que elaborou o parecer do caso, o carro em que Juscelino viajava pela Via Dutra (BR-116), entre o Rio de Janeiro e São Paulo, não sofreu um acidente. A relatora conclui que houve uma ação externa que provocou a saída do veículo da pista e a posterior colisão com uma carreta que trafegava no sentido contrário, e que ela aponta como de responsabilidade do regime da época.
O relatório, que tem mais de 5 mil páginas, ao qual o jornal Folha de S.Paulo teve acesso, contesta a versão oficial do governo militar de que o Opala dirigido pelo motorista e amigo de JK Geraldo Ribeiro tenha sido atingido por um ônibus durante uma ultrapassagem, o que fez o carro sair da pista, invadir a contramão e colidir com uma carreta, matando os dois ocupantes. Para a relatora, não há indícios dessa primeira colisão que amparem a versão da ditadura.
