Com a articulação impiedosa liderada pelo Partido Liberal (PL) e consolidada pela nova correlação de forças no Senado, o Brasil encontra-se sob o risco iminente de perder os seus dois maiores escudos de defesa da democracia — Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A decisão deliberada da legenda de rejeitar qualquer conciliação e deflagrar pedidos abertos de destituição contra os dois magistrados a partir de 2027 marca a transição de uma disputa jurídica rotineira para uma verdadeira operação de decapitação institucional. O que está em curso não é uma correção técnica de rumos, mas uma represália friamente calculada contra os homens que tiveram a firmeza incontornável de impor a soberania da Constituição no momento mais agudo e perigoso da história republicana recente.

Para compreender o alcance desastroso dessa movimentação, é preciso encarar a estatura que Moraes e Dino adquiriram na preservação do Estado de Direito. Alexandre de Moraes transformou-se no esteio intransigente da contenção aos ataques golpistas, suportando pressões desmedidas, ameaças abertas e campanhas de difamação sem ceder um único centímetro na salvaguarda da legalidade. Ao seu lado, Flávio Dino agrega uma robustez doutrinária e uma contundência política raras, unindo a precisão do magistrado à clareza do homem público que compreende a Justiça como a salvaguarda vital dos vulneráveis contra a prepotência dos poderosos. Destruir politicamente esses dois ministros e forçar a sua saída do tribunal por meio de processos punitivos é, na prática, desarmar a própria República perante aqueles que nunca aceitaram os limites constitucionais.

A moeda de chantagem que circulou nos bastidores revela a natureza crua desse ataque: o plano de sufocar Moraes e Dino surgiu quando o grupo bolsonarista percebeu que não conseguiria arrancar, de forma pacífica, a anistia para os invasores de 8 de janeiro nem a reversão das condenações que pesam sobre o ex-presidente. Diante da recusa do tribunal em leiloar a Constituição em troca de uma falsa paz, a resposta do PL foi declarar guerra aberta através do instrumento do impeachment. Caso essa manobra se consuma com o aval da nova bancada legislativa, o Supremo Tribunal Federal será despojado de suas lideranças mais destemidas, abrindo caminho para uma corte intimidada, curvada às conveniências do poder momentâneo e refém da impunidade.

A perda de Alexandre de Moraes e Flávio Dino seria a vitória definitiva do arbítrio sobre a ordem republicana. Sem esses dois bastiões no plenário, a democracia brasileira perde a sua capacidade de autoimunidade, ficando completamente exposta aos impulsos daqueles que encaram o Judiciário como um entrave incômodo que precisa ser neutralizado. O que se desenha no horizonte não é um debate abstrato sobre equilíbrios de poder, mas a iminência de um retrocesso devastador: quando os homens que ousaram conter a barbárie são derrubados pela vingança política, é o cidadão comum que se descobre órfão da lei e à mercê do autoritarismo mais descarado.

Moz na Diáspora

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