USANDO OS CURDOS

Trump hesita em mandar tropas para combater no Irã.

Se a impopularidade dele já é alta, hoje, podemos imaginar o quanto irá crescer, caso opte por guerra convencional com infantaria no solo inimigo.

A guerra entre Israel, os USA e o Irã, que começou em 28 de fevereiro de 2026, tem envolvido ataques aéreos intensos, mísseis balísticos e preparativos para operações terrestres, com foco em degradar as capacidades militares iranianas, incluindo defesas aéreas e instalações de segurança interna.

No contexto das populações curdas (*), que representam cerca de 10-15 milhões de pessoas no Irã (principalmente sunitas e historicamente marginalizadas pelo regime xiita), há indícios crescentes de que os curdos estão sendo posicionados como um elemento chave para desestabilizar o regime de Teerã por meio de insurgências ou ofensivas terrestres.

Relatórios indicam que Israel e os USA têm realizado ataques em províncias de maioria curda no oeste do Irã, como Kurdistan e Ilam, visando quartéis-generais da polícia, postos de fronteira e instalações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o que pode abrir espaço para grupos armados curdos exilados no Iraque entrarem e operarem dentro do Irã.

Esses ataques coincidem com protestos em memória do líder supremo Ali Khamenei, assassinado no início do conflito, e ecoam movimentos passados como o de Mahsa Amini em 2022-2023, onde as áreas curdas foram focos de revolta.

Fontes como o Wall Street Journal e a CNN relatam que a CIA tem trabalhado para armar forças de oposição curdas iranianas, com armas contrabandeadas para o oeste do Irã desde o ano passado, visando fomentar uma revolta armada contra o regime.

No entanto, há ceticismo entre alguns curdos e analistas: históricos de abandono por parte dos USA e Israel (como em 1975 no Irã e 2019 na Síria) sugerem que os curdos podem ser usados como “peões” para enfraquecer o Irã sem compromisso real com sua independência, potencialmente ampliando o conflito para Turquia, Síria e Iraque.

Até o momento (4 de março de 2026), não há confirmações de uma invasão terrestre curda em grande escala, mas os preparativos e os bombardeios fronteiriços sugerem que isso pode ser iminente, alinhando-se com estratégias para evitar o envio de tropas americanas ou israelenses diretas ao solo iraniano.

A relutância dos USA em comprometer infantaria própria reforça o papel potencial dos curdos como “proxies”, mas o resultado depende de fatores como coordenação aérea prometida e respostas iranianas – que estão cada vez mais efetivas e destruidoras.

Os curdos são frequentemente descritos como o maior grupo étnico do mundo sem um Estado próprio.

Com uma população estimada entre 30 e 40 milhões de pessoas, eles possuem identidade cultural, linguística (língua curda, de origem iraniana) e histórica própria, mas estão distribuídos por fronteiras de diversos países.

Cristóvão Feil

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