Na manifestação na Lagoa, neste domingo (9/8), associações de moradores de vários bairros, como Jardim Botânico, Humaitá, Leblon, Lagoa e Urca, levantaram uma tese principal com a qual eu concordo: não permitir voos panorâmicos sobre os bairros.

Em Nova York não há voos em volta da Estátua da Liberdade. Em Paris também não há voos panorâmicos no centro da cidade, em torno da Torre Eiffel. Aqui, podemos chegar por trilhas, pelas Paineiras, pela Cláudio Coutinho ou pelo bondinho e ter as mesmas vistas deslumbrantes.

São cerca de 1.800 pessoas voando de helicóptero por ano e 400 mil sendo infernizadas pelo barulho.

O TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que firmamos há dois anos, foi patrocinado por mim e, sobretudo, pelo procurador federal Sérgio Suyama. Ele foi descumprido. Alguns pontos foram cumpridos na Praia Vermelha, onde os helicópteros deixaram de subir colados no morro, e no Joá, onde passaram a fazer o percurso pelo mar. Mas na Lagoa, Humaitá, Jardim Botânico, Gávea e Botafogo, está um inferno.

Com base nesse descumprimento, Sérgio Suyama deve ingressar nos próximos dias com uma ação civil pública contra vários agentes do estado, do município, da Aeronáutica e as empresas que assinaram e descumpriram o TAC.

E há uma forte ligação entre o problema ambiental do barulho insuportável e a questão da segurança. Ontem morreram quatro pessoas e, há um mês e meio, oito morreram no choque de dois helicópteros. Nos últimos dez anos, foram 38 acidentes com mortes.

O TAC proíbe voos simultâneos nessas áreas e determina que todos os helicópteros tenham transponder, equipamento que permite às torres de controle da Aeronáutica saberem, em tempo real, onde estão as aeronaves e onde estão as outras.

Eles descumprem as duas regras. Isso amplia a barulheira, mas também aumenta a possibilidade de colisões. O não cumprimento do TAC enferniza as pessoas e aumenta o número de acidentes. Isso precisa acabar.

Carlos Minc

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