
Israelenses são convidados a fazer passeios de barco para testemunhar a destruição em Gaza à distância, e essa imagem por si só diz mais do que qualquer discurso político.
Imagine um lugar onde casas são reduzidas a escombros, onde famílias procuram por seus entes queridos, onde crianças perdem tudo; do outro lado da água, pessoas transformam essa devastação em algo para ajudar, algo para registrar, algo para vivenciar como atração turística. Em que momento o sofrimento humano deixa de ser real para essas pessoas? Em que momento um bairro destruído se torna uma mera paisagem?
Esta não é apenas uma questão política. Ela trata da condição moral de uma sociedade que pode contemplar o mundo e tratá-lo como um mero espetáculo.
Gaza não é uma exposição. Não é uma exibição de campo de batalha. Não há uma cena de uma cruz ao sol. É um lugar onde seres humanos sangram, choram e lamentam para sobreviver.
E se a destruição pode ser transformada em entretenimento, o mundo deve ser questionado: em que nos transformamos?
