
O REI DA OBJETIVIDADE:
Mais que um repórter cinematográfico histórico, Reynaldo Cabrera, era o rei da simplicidade. Um homem cotidiano comum, mas incomum no exercício quase diário da sua profissão. Com suas eternas calças jeans desgastadas, seus cabelos lisos rebeldes, seu tênis trivial e com sua baixa estatura, quando colocava uma câmera nos ombros, de que tipo fosse, se fazia um gigante. No jornalismo diário, onde tanto foi premiado, mas principalmente, nas reportagens de esporte, quando se entregava de forma apaixonada. Sabia tudo. O genial Reynaldo, filmou corpos se atirando do alto no.incêndio do edifício Joelma em São Paulo. Depois de termos ficado amigos, perguntei a ele sobre tal fato. Ele me disse, me pedindo para olhar nos seus olhos: ” Gilson, pra você eu vou confessar um sentimento, que acho, nunca confessei. Não gosto de falar sobre esse assunto. Mas se fosse laureado, por filmar, de forma inédita, um atleta batendo um recorde me sentiria feliz. Mas tive pesadelos depois. Quando um corpo se atira do alto, minha câmera com a queda, no chão se estatelou, minha câmera tremeu. A primeira vez e a última”. O Cabrera era severo, era. Mas extremamente leal. E dava força para quem começava. Minha estreia foi com ele, com filme, quando da despedida do mito jogador de basquete que na hora que ele deu o vai, eu fui, e chamei o ídolo de Pernilongo. Ele gravou mas me acalmou. Era um cara da noite, um malandro careta. Adorava a pele preta. O Sandália de Prata na Rego Freitas. Não era alcagueta. Aturava um bando de dementes, desde que eles trabalhassem bem. Ensinava no carro, no campo não largava dela, a câmera. ” Menino, uns colegas a chamam de várias formas, apelidos carinhosos, eu não, só chamo por meu sustento. Em todos os sentidos”. Certa vez, fomos entrar ao vivo, ele deu o vai com seu dedo indicador em gancho, eu conto, ao vivo 1, 2, 3…e começo. Quando acabou, ele me diz ” O boletim ficou bom, você falando, saí de você, dei uma geral e voltei na deixa combinada, enquanto você lia o texto em off. Mas vão estranhar você ter contado um, dois, três”. Quis morrer. Acabei rindo com ele no almoço. Quando minha primogênita Luana Oliveira nasceu, ele foi o primeiro a visitar no hospital. Estava trabalhando. Quando cheguei para o encontro da mãe e da bebê, vi na porta, um mosqueteiro, e uma escrita: ” Luana, a mais nova corintiana”. Entrei no quarto, beijei a cabecinha dela que estava mamando, e a Cláudia diz: ” Teve um amigo seu aqui, muito legal. Parecia um pai, o nome dele era Cabrera, acho.”. Com certeza foi ele. Muito legal. Até você ter achado que parecia um pai. Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro
Reinaldo,! Foi um mestre da arte cinematográfica, do no jornalismo, de um poder intuitivo fantástico. Na área de esporte em geral, e no time do Coração ❤️ CORINTHIANS. Certa vez, como seu assistente, R. Thomé, Cabreira cobrindo um Show de Paraquedistas em S.J.dos Campos, acompanhando o salto de equipes , ele logo após pediu ao piloto rapidez no pouso para fazer a chegada, no ponto determinado .Não deu outra uma aterrisagem rápida. Meu ouvido parecia que ia explodir, fiquei literalmente surdo. Ao término ele disse Regi, da proxima vez mastigue um Chiclete que resolve, com voo despressurizado. Experiência é tudo. Que o divino esteja com ele Axé.
Muito justa a homenagem eu tive a oportunidade de vê lo.em.acao grande profissional parabéns pela.a.homenagem ao Grande Mestre!!!