COFLITO DE INTERESSE

Um levantamento do ICL Notícias mostra que, desde 2024, o ministro André Mendonça (STF) votou ou decidiu a favor dos interesses do ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), em pelo menos quatro ocasiões. Isso aconteceu no mesmo período em que o Instituto Iter — empresa criada por Mendonça após entrar para a Corte — foi contratado sem licitação por cinco órgãos do governo fluminense, somando ao menos R$ 1 milhão em pagamentos.
A primeira decisão favorável veio em outubro de 2024, quando Mendonça encerrou duas investigações contra Castro sobre corrupção na Fundação Leão XIII. O recurso da PGR ficou parado por 219 dias, período em que secretarias do Rio firmaram os primeiros contratos com o Iter. Em março de 2025, dias após reunir-se no Iter com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o Mendonça tentou, sem sucesso, livrar Washington Reis (aliado de Castro) de uma condenação por crimes ambientais. Em março de 2026, Mendonça votou pela absolvição de Castro no TSE no caso dos “cargos secretos” — sem sucesso, pois Castro acabou condenado e inelegível —, o que foi seguido por um novo contrato do Iter com o governo fluminense.
Em abril, Mendonça votou a favor de uma manobra de Castro para a realização de eleições indiretas no estado. Depois, já como relator do caso Master, Mendonça negou um pedido da PF para buscar documentos no escritório de advocacia de Castro — mesmo após imagens mostrarem o ex-governador saindo do local com mochilas às vésperas da operação.
Segundo o ICL Notícias, o Iter faturou R$ 10,4 milhões em 2025 e soma 68 contratos públicos, totalizando R$ 11,47 milhões. Mendonça e a esposa detinham 77,5% das cotas. Em setembro deste ano, ele anunciou a saída da sociedade, mas o registro ainda não foi atualizado na Junta Comercial. Mendonça nega irregularidades e diz que nunca administrou o instituto. O Iter afirma que as contratações seguiram a lei e não têm relação com decisões judiciais.
Com informações do ICL Notícias.
