

Depois de separar do famoso jogador de baseball Joe DiMaggio, Monroe achou que a vida lhe reservaria menos tormentos íntimos. Ganhou a ação que movia contra a 20 Century Fox, começou a ter mais autoridade na produção dos seus projetos e partiu para um casamento que causou uma ebulição não só no meio artístico, mas no mundo todo, também pelo nome do noivo: o aclamado escritor e dramaturgo Arthur Miller. Um dos intelectuais mais conceituados da América. A sociedade da época, até mesmo a imprensa, além de espanto, reagiu de forma preconceituosa e maniqueísta à união. Como podia um intelectual de estirpe casar com o protótipo de uma mulher com o máximo de beleza mas com o cérebro de uma lesma? A tal da loira burra. Um conceito repugnante mas também forjado pela imagem que ela mesmo ajudou a construir. A cerimônia foi realizada dentro dos preceitos judaicos de Miller, nos gramados de uma mansão colonial em Westchester, condado de West Plains, em Nova York, que até pouco tempo atrás estava à venda por US$ 1,6 milhão. Para poucos e raros. A noiva foi conduzida até o rabino pelo seu professor de atuação, nada mais, nada menos, do que o lendário Lee Strasberg do Actor’s Studio. O casamento durou apenas três anos. Nesse período passou por dois abortos devido a uma endometriose. Quando filmou o enorme sucesso ” Quanto Mais Quente Melhor” se desentendeu com o diretor Billy Wilder. Mal conseguia beijar Tony Curtis. De tão chapada. Mesmo assim, seguiu com sucessos estrondosos. Mas foram poucos. O já ex-marido deixou escrito que era impossível conviver com ela, pois queria nele um pai, um mestre, um amigo e por último, um marido. E não conseguia controlar seus vícios e hábitos. Mesmo assim deixou seu testemunho que era uma mulher inteligente, bem humorada, carinhosa e generosa. Mas paranóica, achando que todos queriam se aproveitar dela. Compreensível. Depois de lhe presentear com o roteiro do seu último e ótimo filme ” Os Desajustados” com direção de John Huston, tendo Clark Gable e Montgomery Clift no elenco, foi Miller que saiu de cena em 1961, já separado. Confidenciou a um amigo em carta que temia pela sua morte. Tinha razão. Ela que já tinha se envolvido antes com o ator francês Ives Montand e depois com Frank Sinatra, começou a ter um caso extra-conjugal, simplesmente com o Presidente da República, John Fitzgerald Kennedy. Começou a ser vigiada pela CIA. Pelo FBI. Se sua vida já era complicada, se tornou um inferno. Teria, tem provas, de ter passado por mais um aborto. Na tarde do dia 4 de agosto de 1962, Marilyn tentou falar com Kennedy. Começou a entornar uísque. No início da noite, sua última ligação, conversou com o ator Pete Lawford, pedindo para ele dizer adeus à Jack, à sua esposa Pat e a ele mesmo. Foi encontrada morta no seu quarto, depois que a governanta, que lá dormia, Eunice Murray, estranhou as luzes acesas e o silêncio, quando chamou o médico psiquiatra Ralph Greenson, que lhe administrava os barbitúricos encontrados no seu sangue e fígado. Enfim, Norma levava Marilyn junto com ela. Neste ano de 2026, é seu centenário, estaria portanto completando 100 anos. Que sua arte sobreviva acima da sua marca, da sua gravura pop de Andy Warhol. Em estampas. Como uma lata vazia de sopa Campbell’s. Monroe há muito merece ser vista como a grande artista.


Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro