
A HISTÓRIA DO CRAQUE IRAQUIANO QUE FOI DETIDO PELA POLÍCIA DO CHEETOS
COPA DO MUNDO 2026
Via PELEJA
Uma parte da seleção do Iraque desembarcou nos Estados Unidos para a reta final de preparação para a Copa do Mundo, mas, no aeroporto de Chicago, o atacante Aymen Hussein, principal nome da equipe e autor do gol decisivo da classificação, ficou detido e passou cerca de sete horas em procedimentos de investigação e verificação conduzidos por autoridades de imigração.
A explicação apresentada foi uma suposta confusão de nomes com outro cidadão iraquiano. Enquanto isso, dirigentes e integrantes da seleção tentavam acelerar a liberação, sem sucesso.
A situação em Chicago não foi o único constrangimento que a delegação iraquiana passou. Também na chegada ao país, o fotógrafo Talal Salah, responsável pelas imagens oficiais da seleção, foi retido por cerca de 13 horas e teve a entrada negada. Salah acabou deportado para Bagdá, o que deixou a equipe sem o profissional no início da competição e, na prática, sem registros oficiais da chegada nas redes da federação.
Os dois episódios ocorreram às vésperas da estreia do Iraque na Copa, marcada para 16 de junho, contra a Noruega, pelo Grupo I, que também tem França e Senegal. O calendário coloca o time em um caminho considerado difícil, mas a classificação já tinha sido tratada como um marco nacional, com festa nas ruas e recepção ao atacante ao fim da data Fifa.
A história do centroavante é atravessada por conflitos que marcaram o Iraque nas últimas décadas. Ele perdeu o pai em 2008, quando o militar foi assassinado em um ataque atribuído à Al-Qaeda, após se recusar a abandonar o posto diante de ameaças do grupo.
Em 2014, o irmão mais velho, ligado às forças de segurança do seu país, foi sequestrado pelo Estado Islâmico e desapareceu. Pouco depois, a casa da família foi destruída e todos tiveram de deixar a região.
Essas perdas na vida Hussein aconteceram no mesmo período em que o Iraque vivia a escalada da violência após a invasão americana de 2003. A queda do regime de Saddam Hussein abriu espaço para uma insurgência prolongada, e o Iraque se tornou um lugar de disputas internas e da atuação de grupos extremistas. A Al-Qaeda se fortaleceu no território e, mais tarde, a expansão do Estado Islâmico aprofundou a instabilidade, especialmente no norte iraquiano.
Depois da retirada das tropas americanas em 2011, os EUA voltaram ao Iraque em 2014, liderando uma coalizão contra o Estado Islâmico, agora a pedido do governo iraquiano. Ainda assim, a presença americana permaneceu politicamente sensível, pressionada por disputas internas e pela influência do Irã no cenário iraquiano. Nos últimos anos, os dois países discutiram a transição do formato militar da coalizão para uma cooperação de segurança que fosse, de fato, bilateral.
A seleção do Iraque chega à Copa carregando a ambição de competir e, ao mesmo tempo, a necessidade de lidar com um ambiente de pressão fora do gramado. O elenco volta ao maior palco do futebol depois de quatro décadas, em uma edição disputada na América do Norte, com Estados Unidos entre as sedes.
Antes do primeiro jogo, porém, o Iraque já teve que lidar com um sinal incômodo. O time que entrou no avião para disputar um Mundial encontrou, na fronteira, um lembrete de que a história recente entre os dois países continua projetando sombras. E, nesse cenário, eles não são bem-vindos por lá.
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Miguel Baia Bargas