
O STF formou maioria para manter Daniel Vorcaro preso. André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram nesse sentido. Gilmar Mendes ainda vota. Dias Toffoli se declarou impedido. Até aí, processo penal normal.
O detalhe que mudou o clima político foi outro: a troca de advogados. Saiu Pierpaolo Bottini, conhecido por rejeitar delações. Entrou José Luis Oliveira Lima, que costuma negociar acordos. Em Brasília, a tradução é simples: todo mundo passou a falar em delação. E é aí que começa o nervosismo.
Investigadores querem saber até onde vai a engrenagem. Políticos temem virar capítulo da história. E o Supremo entrou no centro da tempestade porque o caso tangencia relações delicadas entre magistrados, advogados e personagens do sistema financeiro.
Uma pesquisa recente do Meio/Ideia captou bem o estrago: entre os que acompanham o caso, a instituição mais associada ao escândalo é o STF – bem à frente do governo ou do Congresso.
Quando um escândalo bancário começa a corroer a confiança em instituições, a crise muda de escala: deixa de ser apenas policial e vira crise política.
O governo Lula observa com cautela. Não porque esteja no centro do caso, mas porque escândalos dessa natureza têm uma característica conhecida na política brasileira: espalham lama em todas as direções.
Agora imagine o que acontece se vier uma delação. É por isso que tanta gente em Brasília anda dormindo mal.
