A Argentina de Javier Milei entrou na lista dos dez piores países do mundo para os direitos dos trabalhadores. O diagnóstico aparece no relatório de 2026 da Confederação Sindical Internacional, divulgado em junho. Em apenas dois anos, o país caiu da categoria três para a cinco, classificação que indica ausência de garantia efetiva desses direitos. É um resultado constrangedor para um governo que transformou a palavra liberdade em sua principal bandeira. Porque essa promessa também precisa ser examinada pela perspectiva de quem depende do próprio trabalho: qual é a liberdade de uma pessoa que encontra obstáculos para se organizar, reivindicar melhores condições e defender o próprio sustento?

O levantamento avalia a proteção de direitos trabalhistas e sindicais, e destaca, no caso argentino, medidas de segurança pública e controle de manifestações. Isso tem consequências concretas. Quando a organização coletiva é enfraquecida, o trabalhador perde capacidade de negociar e fica mais vulnerável diante de quem pode determinar suas condições de emprego. A discussão sobre eficiência econômica precisa enfrentar essa realidade: uma reforma pode facilitar decisões empresariais e, ao mesmo tempo, reduzir a proteção de quem trabalha. Chamar toda garantia de entrave burocrático torna conveniente esquecer por que ela foi conquistada e quem fica exposto quando desaparece.

Esse relatório coloca uma cobrança incontornável sobre Milei: como sustentar um discurso de emancipação enquanto o país sofre uma deterioração tão acentuada na proteção dos trabalhadores? A experiência argentina merece ser observada com atenção por quem apresenta esse modelo como solução para o restante da América Latina. Nenhuma avaliação séria de um governo deveria se limitar à reação dos investidores ou às promessas de crescimento. Ela precisa alcançar quem trabalha, paga as contas e enfrenta as consequências das decisões tomadas no poder. Uma economia digna desse nome deve permitir que o trabalhador construa uma vida — e tenha voz para defendê-la.

Moz na Diáspora

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