
DINHEIRO DAS ENCHENTES | Recursos criados para socorrer vítimas das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul estariam sendo direcionados para megaempreendimentos turísticos de luxo na Serra gaúcha, incluindo hotéis e resorts.
A denúncia, feita pela deputada estadual Laura Sito (PT), foi protocolada no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado e mira o uso de até R$ 200 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) no programa Prograntur.
Entre os empreendimentos que podem receber subsídios públicos estão resorts como o Club Med Gramado e o Kempinski Laje de Pedra. O dinheiro, segundo a parlamentar, deveria priorizar famílias desabrigadas, obras de prevenção e pequenos comerciantes atingidos pela tragédia climática.
“São megaempresários se aproveitando da oportunidade de ter novos recursos para impulsionar grandes empreendimentos que estavam parados. Isso é um desvio de finalidade absurdo com o Funrigs”, criticou Laura Sito após visitar Gramado nesta quarta-feira (20).
O Prograntur foi criado pelo governo estadual em 2025 para subsidiar juros de operações de crédito voltadas a grandes projetos turísticos, exigindo investimento mínimo de R$ 50 milhões por empreendimento. A justificativa do Executivo é fortalecer o turismo e movimentar a economia gaúcha após os eventos climáticos extremos.
A denúncia, porém, provocou indignação ao expor que recursos associados à reconstrução pós-enchente podem acabar beneficiando hotéis e resorts voltados ao público de alta renda enquanto milhares de atingidos seguem esperando moradia definitiva.
“Tem pessoas que perderam tudo e não conseguiram acessar programas federais. Esses recursos poderiam ajudar famílias vulneráveis, reconstruir casas e reforçar sistemas de proteção contra novas enchentes”, afirmou a deputada. Ela ainda alertou para a previsão de um novo fenômeno El Niño a partir de agosto.
Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico negou irregularidades e afirmou que nenhum valor foi repassado até agora. Segundo o governo, os projetos seguem em análise técnica e o programa busca estimular investimentos privados, geração de empregos e “capacidade turística” do Estado.
- Fonte: Fronteira 360
- Texto: Maicon Schlosser
