
Uma disputa que envolve Venezuela, Reino Unido, Estados Unidos, governo e oposição ganhou um novo capítulo.
O deputado venezuelano Ramón López afirmou que os recursos do ouro da Venezuela mantido no Banco da Inglaterra poderão ser destinados à reconstrução das áreas atingidas pelos terremotos de 24 de junho, por meio de uma estrutura ligada ao Tesouro dos Estados Unidos.
Mas atenção: o ouro ainda não foi liberado nem transferido para os EUA. A declaração trata do possível destino dos recursos caso o desbloqueio seja aprovado.
A Venezuela mantém cerca de 31 toneladas de ouro em Londres, avaliadas em aproximadamente US$ 4 bilhões. O ativo é alvo de uma disputa jurídica e política desde 2018.
Com a tragédia, governo e setores da oposição passaram a defender a recuperação dessas reservas. A proposta prevê que os recursos sejam utilizados na reconstrução de moradias, escolas, centros de saúde e outras estruturas destruídas pelos terremotos, com mecanismos de controle, rastreabilidade e auditoria internacional.
Os tremores de 24 de junho, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram danos estimados em US$ 19,6 bilhões, segundo avaliação do Banco Mundial. O custo total da reconstrução pode chegar a cerca de US$ 50 bilhões.
O ponto central é que o ouro pertence às reservas venezuelanas, mas está em Londres. Para utilizá-lo, ainda é necessário resolver a disputa sobre quem tem autoridade para movimentar o patrimônio.
Ou seja: não é simplesmente colocar 31 toneladas de ouro em um avião para os Estados Unidos. O que está em discussão é como desbloquear, administrar e transformar esse patrimônio em recursos para reconstrução.
Agora surge a principal pergunta: quem vai controlar esses bilhões e como garantir que o dinheiro realmente chegue às vítimas?
Por isso, a proposta de auditoria internacional é uma das partes mais importantes do acordo.
Fontes: Reuters, Financial Times, El Nacional, InfoMoney e Banco Mundial.