
A vitória soviética na Segunda Guerra Mundial não foi apenas militar. Foi civilizacional. A União Soviética não só derrotou a máquina de guerra nazista como redefiniu o conceito de poder no século vinte. Quem venceu aquela guerra no front mais brutal da história não saiu apenas com território ou prestígio momentâneo. Saiu com respeito imposto pela realidade dos fatos.
Foi no Leste Europeu que a guerra foi decidida. Foi ali que o custo humano atingiu níveis que o Ocidente jamais experimentou. Milhões de mortos, cidades inteiras destruídas, uma sociedade mobilizada até o limite absoluto. Isso criou algo que propaganda nenhuma compra: autoridade histórica. A União Soviética mostrou que era capaz de resistir, absorver impacto e ainda avançar. Esse feito mudou o equilíbrio global de forma definitiva.
É por isso que, mesmo após o colapso soviético, a Rússia continua sendo tratada como um ator que impõe respeito. Não é nostalgia. É herança estratégica. A memória daquela vitória ainda pesa nas decisões diplomáticas, militares e geopolíticas. Países podem mudar de regime, de economia, de discurso, mas vitórias fundadoras moldam a forma como o mundo os enxerga.
Quando se tenta reduzir a Rússia a “mais um país”, ignora-se essa base histórica. Ignora-se que o respeito internacional não nasce apenas de Produto Interno Bruto ou alianças momentâneas, mas de provas extremas superadas diante da história. A vitória soviética não apenas encerrou uma guerra. Ela estabeleceu um padrão: quem sobrevive ao pior e vence, nunca mais é tratado como irrelevante.
