
Falando sério, prometo ser minha última postagem sobre o título vencido, no Distrito Federal, “O Rei do Brasil”. Longe mesmo, desdenhar, fazer chacota, jamais de outros clubes. Muito menos dos seus torcedores. Mas não admitir que a torcida do Corinthians é diferente, é não enxergar um palmo na frente. Históricamente.

O estádio do Morumbi, com o recorde de público, histórico, na decisão do Campeonato Paulista de 77, contra a Ponte Preta, depois de um jejum de conquistas significativas por mais de duas décadas. Tinha conquistado o criado Torneio do Povo, no Mineirão, em 1971, contra o Internacional de Porto Alegre, por um a zero, gol do Rivellino. E mais nada. Antes, a chamada invasão do Rio de Janeiro, na semifinal de 76, contra o Fluminense. A presença maciça na decisão do Mundial de Clubes, em dezembro de 2012, contra o Chelsea, em Tóquio. Isso para ficar em apenas três exemplos. Aconteceram muitas outras vezes. Muito tentou se explicar como isso se deu, essa devoção incrível e a festa sempre realizada. O apoio durante todo o jogo. Mesmo perdendo. Mas não interessa as causas e sim os efeitos.

Cresci não vendo um título sequer, enfrentando gozações na escola. Duas gerações. A torcida só aumentou. O estigma de sofredor. Incrível como muitos jogadores, que vieram de outros clubes, onde se tornaram campeões, encerrada suas atividades profissionais, passaram a declarar que se tornaram corintianos. Pois neste sábado, 1 de fevereiro de 2006, penso que a conquista contra o Flamengo foi histórica. Pelo que aconteceu nas arquibancadas. A torcida do Flamengo, que o locutor da TV Globo, chama de “o mais querido”, foi apagada. Foi de impressionar o acontecido. Aquele dito: a torcida corintiana não tem um clube. E sim um clube que tem uma torcida. Viva a vida. E a alegria. Pode ser passageira. Mas é, essencialmente, verdadeira. Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro