Lula entendeu uma coisa que muita gente finge não ver: terras raras não são só minério, são poder. Quem controla esses recursos controla tecnologia, defesa, transição energética e, no fim da linha, soberania. Quando Lula diz que não faz sentido exportar matéria-prima bruta para depois comprar o produto acabado a preço de ouro, ele não está fazendo discurso ideológico. Está cortando, logo de início, o ciclo clássico de exploração que sempre manteve países ricos em recursos eternamente pobres em decisão.

A verdade incômoda é que o Brasil está sentado sobre uma das maiores reservas de terras raras do planeta, e isso desperta um apetite silencioso. Não é coincidência que Estados Unidos, União Europeia e China falem tanto em “parcerias”, “cooperação” e “investimentos”. Essas palavras, no dicionário da geopolítica, muitas vezes significam acesso barato, controle indireto e dependência prolongada. Quando Lula trava esse jogo e diz que só negocia se houver industrialização, transferência de tecnologia e geração de riqueza interna, ele não está sendo difícil. Está sendo perigoso para quem sempre levou vantagem.

Aqui entra a parte que quase ninguém fala abertamente: o conflito não é ambiental, é estratégico. O discurso verde serve como vitrine, mas o que está em disputa é quem vai dominar baterias, chips, motores elétricos, armamentos e inteligência artificial nos próximos trinta anos. Lula sabe disso. Por isso ele não fecha portas, mas também não se ajoelha. Ele senta à mesa sabendo exatamente o valor do que tem na mão, algo que incomoda potências acostumadas a negociar com países desesperados, não com países conscientes.

No fundo, o que Lula está dizendo é simples e explosivo ao mesmo tempo: o Brasil não será quintal tecnológico de ninguém. Quem quiser acesso às terras raras brasileiras vai ter que aceitar uma nova regra do jogo, onde o país deixa de ser fornecedor barato e passa a ser ator central. É por isso que esse tema esquenta tanto. Não é sobre minério. É sobre quem manda no futuro.

Foto: Divulgação

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