
Trabalhar num feriado é sempre um sacrifício, mesmo que se ganhe em dobro. No carnaval é pior ainda. É um dia em que todo mundo está se divertindo, nem que seja vendo os desfiles na tevê com um copo de cerveja na mão.
Lá na redação do jornal Zero Hora, num desses carnavais, as gurias do administrativo amenizaram o baixo astral dos colegas decorando a redação com serpentinas e confetes. Nos meus 35 anos de trabalho, se a memória não me falha, trabalhei em todas as terças-feiras de carnaval, e fui remunerado por isso.
Nenhum dos meus patrões cogitou em não pagar, mesmo sabendo que não seriam punidos, pois, por incrível que pareça, num país em que temos tantos feriados e dias santos nacionais, estaduais e municipais, justamente o carnaval, por lei, é um dia normal, em que todos deveriam estar no batente. Só no Rio de Janeiro é feriado estadual e municipal.

Clóvis Heberle