
Apesar de integrar diversas Convenções Coletivas de Trabalho (CCT), acordadas entre as empresas de comunicação e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, a segurança dos jornalistas nas coberturas diárias pela cidade continua sendo uma incógnita, cuja integridade física do profissional depende muitas vezes do fator sorte no seu retorno à redação.
A cada semana surgem novos casos, em maior ou menor grau, de violência contra os jornalistas, que parece não ser um problema para as empresas de comunicação que simplesmente tomam medidas de segurança paliativas e nunca preventivas

A vítima da vez foi a repórter Duda Dalponte, da TV Globo, que durante sua entrada no “Jornal Hoje”, na quarta-feira (26/11), cercada pela torcida do Flamengo, teve seu cabelo puxado repetida vezes em meio a torcedores, mesmo buscando manter a concentração durante a transmissão, num flagrante ato de violência.
Veja no link https://www.instagram.com/reel/DRiu_nAgJ_q/?igsh=MXFtbzk3dWx4a3N6Yw== o depoimento de Duda Dalponte.
A repórter, numa evidente situação de risco, não contava com nenhuma estrutura de apoio para sua proteção por parte da TV Globo. Estava simplesmente sozinha em meio a uma multidão e vulnerável a qualquer tipo de violência, como aliás aconteceu. A emissora não é nenhuma estreante em coberturas junto a torcidas – sabe muito bem dos riscos existentes.
A situação de risco a que foi colocada a jornalista Duda Dalponte configura mais uma vez o descaso a que estão submetidos esses profissionais no seu dia a dia nas ruas pelas empresas de comunicação.
O Sindicato tem procurado junto às emissoras discutir a questão no sentido de estabelecer protocolos mais abrangentes que coloquem a segurança dos/das jornalistas em primeiro lugar. Entretanto, os gestores dessas empresas limitam-se a normas burocráticas, distanciadas da realidade – prevalece a ótica do lucro em detrimento da vida.
A Comissão de Segurança, cláusula quinquagésima segunda da CCT, é letra morta, pois devido a leniência patronal não se reúne devido a má vontade e pouco caso por parte dos gestores das empresas. À ela caberia analisar, discutir e aprovar ações de capacitação envolvendo treinamento especializado e a conscientização dos profissionais para o uso de equipamentos de proteção individual adequados, além de estabelecer normas e condutas preventivas diante de situações como a vivida pela repórter Duda Dalponte.
Nesse sentido, o Sindicato já tem pronto estudo da sua assessoria jurídica com subsídios que serão inseridos na pauta de reivindicações dos jornalistas na CCT 2025/2026 de forma a enquadrar as empresas de comunicação em normas de seguranças mais rígidas para a proteção dos/das jornalistas.
Basta de descaso e violência!
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Munícipio do Rio de Janeiro
28 de novembro de 2025