Há muito estou convencido, que se me fiz um dia um repórter esportivo razoável, sou péssimo quando tento enveredar pela veia irônica. De humor. Levam ao pé da letra. Se não bastasse a mediocridade poética. Ainda mais nos tempos de hoje. Bem, no intervalo fiz uma postagem, já irritado, no sentido do Ancelotti não ter colocado o Neymar para jogar. Entre a crítica e a ironia. Sempre me manifestei em achar um pastiche sua convocação. E muitos amigos tentaram ver isso, também como um viés político, nada a ver. Pois agora, escrevo sério. Sempre soube, e até acho legal, do Brasil ter milhões de treinadores. Comentaristas então, à penca. Admito, muitas vezes sou um deles. O direito de opinião é inalienável. Desde que na ânsia de colocar a opinião contrária, não manipule a contrária. Já vejo aqui, várias postagens querendo, ou perguntando, se o treinador italiano Carlo Ancelotti deve continuar no cargo. De muitos que elogiaram sua contratação. Não digo, apenas de antigos treinadores brasileiros, que prestaram grandes serviços aos clubes, outros nem tanto, hoje defasados sim, e rancorosos. Saibam que Lancelotti fez questão de prolongar seu contrato com a CBF, antes do início da Copa, até 2030, ganhando cerca de 60 milhões de euros por ano, segundo li. Quando soube, tive a nítida sensação que já era uma admissão que a seleção que ele comandaria não teria sucesso nesta Copa. Também sua contradição em relação à convocação de Neymar, repito, me pareceu constrangedora. E dúbia. Não tenho instrumental para acusar nada. Não faria. Constato o que penso ser de uma obviedade de hipopótamo. Ainda assim, como postei dias atrás, o acho um ótimo treinador enquanto estrategista. Também é uma figura interessante. Também escrevi, logo depois do jogo contra Marrocos, que considerava a pior seleção de todos os últimos tempos. Talvez a pior em todos. Formada às vésperas da Copa, evoluiu até mais do que esperava. De medíocre se tornou mediana. Só que agora, os tantos treinadores, os números e estatísticas se evaporam. E somem. E a sujeira varrida nos sujos tapetes e nos tiros perdidos e ataques desproporcionais e levianos. Apanhou, admita. Vá para casa e põe salmoura e gelo no hematoma. E assuma o que disse. Sem novas bravatas levianas. Saravá.

Gilson Ribeiro

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