COPA DO MUNDO 2026

A Copa de 2026 já começa sob o signo da exclusão. Omar Artan, melhor árbitro africano e que seria o primeiro somaliano a apitar um mundial, foi barrado nos EUA mesmo com visto válido. A Fifa lavou as mãos: “não se envolve” com imigração. Tradução: mérito, festa entre os povos e espírito esportivo valem até esbarrarem no passaporte errado. Artan não foi exceção. O iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas, o haitiano Woodensky Pierre virou notícia só por, enfim, conseguir visto, um fotógrafo do Iraque foi barrado por “informações confidenciais”. Sete seleções enfrentam restrições, enquanto iranianos e haitianos lidam com portas praticamente fechadas.

A Fifa entregou a Copa a um país que trata estrangeiros como ameaça e ainda premiou Trump com seu “Prêmio da Paz”. Ironia pouca é bobagem. Do lado de fora, o ICE fará parte da segurança, e o governo não descarta prisões em estádios. Torcer virou cálculo de risco. O maior evento esportivo do planeta está sendo usado como vitrine de uma política que exclui, humilha e intimida. Yrump quer a Copa como peça de sua agenda dos 250 anos da independência americana. O mundial é para ele um troféu de prestígio internacional. O problema é que troféus não jogam futebol. Árbitros africanos, atacantes iraquianos e meias haitianos, sim. Mas esses, como ficou demonstrado, não têm a origem ou a cor certas.

Leonardo Sakamoto 

UOL

Leia o restante do texto na minha coluna no UOL, link na bio.

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