Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes tentaram vender a operação da Polícia Civil de São Paulo no caso Dark Horse como perseguição política. A tese esbarra num detalhe incômodo: a polícia é subordinada a Tarcísio de Freitas, aliado bolsonarista e parceiro dos dois.

A investigação nasceu a pedido do Ministério Público, foi autorizada pela Justiça e apura suspeitas de irregularidades em contrato milionário da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, também dona da produtora Go UP. A suspeita é que R$ 26 milhões tenham sido desviados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

O filme já vinha com outros BOs: Daniel Vorcaro, do Master, colocou R$ 61 milhões no projeto após pedidos de Flávio, enquanto a PF investiga se parte do dinheiro bancou Eduardo Bolsonaro nos EUA enquanto ele articulava com Trump sanções contra o Brasil. Agora, entra em cena a suspeita de verba pública municipal.

Chamar isso de perseguição exige uma ginástica: seria uma perseguição feita por aliados, contra aliados, por dentro de uma estrutura política que eles mesmos sustentam. Talvez o erro de Flávio e Nunes não tenha sido gritar “perseguição”. Foi apostar que ninguém faria as contas.

Por Leonardo Sakamoto

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