Não é mudar o foco. É não mudar os fatos. Não é politizar de fato. E sim acertar o alvo. O olho do furacão. Mas acreditar nisso, só perdendo a razão. Ou a soberania. Confesso andar, cada dia mais, com o meu na lua, com os bagos cheios. Sem saco para acompanhar nada. É engraçado, admito ser pessoal, vem me dando uma estranha sensação que tudo seria um estado alucinógeno meu. Não consigo mais me comover ou mesmo levar a sério nada. Mesmo quando admito que algumas coisas são sérias. Fico aflito, pois às vezes acho que o acontecido já está roteirizado, com as temporadas delineadas e todos cumprem seus papéis. Patéticos. Tudo acontece e se repete. Acontecimentos, dos mais sérios aos mais banais, discutidos com a mesma superficial seriedade, dos programas vespertinos de fofocas à matéria especial do Jornal Nacional. Da prisão de um banqueiro à de um influenciador MC. Da namorada de um sertanejo que beija macaco ao feminicídio alastrado. Da oscilações das pesquisas eleitorais para os rombos das emendas parlamentares. Da falta de probidade de altas autoridades à jornada de trabalho semanais. Todos contando, atacando, opinando, aos quatro ventos, de forma efêmera. E nada muda de lugar. Pior do que suas ideias nefastas, esse filhote do cavalo é um verdadeiro asno. Isso me irrita mais do que tudo. Aquela terra dos prazeres onde os larápios venderam o boneco de madeira Pinóquio, no célebre romance de Carlo Collodi. E jumentos não faltam para se fiar em tantos factóides que são engendrados. Agora, mais essa, do governo Trump, em classificar as chamadas facções criminosas como organizações terroristas. E dá-lhe dias e tempos de análises e debates e comentários de estrebarias. Mais uma perigosa bazófia. Nada mais. Cortam o rabo da lagartixa achando que vão matar o crocodilo. Se é que acham mesmo. Sabem que estão enganando. Passando um bastão de desodorante no sovaco pútrido de quem não toma banho. As leis brasileiras continuarão as mesmas. Uma reforma do Código Penal, que em tese, já se faz necessária, mas longe de ser realizada, ainda mais sendo a mais adequada. O que muda com a decisão dos EUA? Poderia ter resultados, que não passariam pela via da segurança pública, mas sim num caminho para o entreguismo, caso o candidato da extrema-direita vença as eleições presidenciais. Mas nem se essa terrível possibilidade acontecer- desse país não me surpreenderia com mais nada- nem assim chegará nas entranhas do tráfico de drogas e armas. O Flávio Bolsonaro deveria cobrar resultados do seu mano Jorginho Mello(PL) sobre a festa que é o estado de Santa Catarina para o braço do narcotráfico. Para os verdadeiros cartéis sediados em países vizinhos. A maior rota atual. A BR-470, pela via terrestre e os portos de Itajaí e Navegantes. Pela BR-101, portos de Itapoá e Imbituba. São bilhões de reais, milhões de dólares lavados, que circulam no mercado africano, indiano e europeu. Nos últimos meses foram apreendidos 287 quilos de cocaína nessa rota. Tudo não é mais noticiado e correndo em sigilo. Igual as chamadas ” Fintech”, produção financeira com tecnologia. Denunciadas e descobertas pela Polícia Federal, todas sediadas na Av. Faria Lima. Nem os soldados de havaianas nos pés e fusíveis nas mãos das favelas, ou do Complexo do Alemão, mudarão. Muito menos os colarinhos engomados serão afetados. Muito menos os gravatas Hermes nos colarinhos engomados muito amigos de deputados e de um tal candidato. Que saco! Portanto, para continuar me distraindo, vou parar de seriedade, e voltar às minhas bufanices como venho fazendo. Ou na convocação do Neymar.

Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro

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