
Pierre Alcolumbre, o primo rico de Davi Alcolumbre – Foto: Reprodução/YouTube
PIERRE ALCOLUMBRE
Primo do presidente do Senado, Pierre construiu um império milionário com práticas empresariais suspeitas, como pagamentos em dinheiro vivo, enquanto se envolve em disputas fundiárias que desafiam a transparência e os direitos das comunidades locais
Por: Ivan LongoPublicado: 09/05/2026 – às 10h19| 4 min de leitura
Pierre Alcolumbre, primo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é um empresário de ascensão meteórica e dono de um império empresarial que inclui vastas terras no Amapá. Sua trajetória e fortuna, no entanto, geram desconfiança devido à maneira peculiar como ele realiza suas transações, frequentemente utilizando grandes quantias de dinheiro vivo. De acordo com uma reportagem da revista piauí, Pierre, que há pouco tempo levava uma vida modesta, viu sua riqueza crescer exponencialmente a partir de 2002, quando Davi começou sua carreira política.
Dinheiro vivo
Pierre Alcolumbre não se destaca apenas pela sua relação familiar com Davi, mas também pelo seu estilo de negócios. A reportagem da piauí revela que Pierre é conhecido por pagar quase todas as suas transações em dinheiro vivo. Transações imobiliárias de grande porte e aquisições de terras, muitas vezes realizadas com quantias em espécie, despertam suspeitas sobre a origem de sua fortuna e a transparência de suas ações financeiras.
O capital social das empresas de Pierre já soma 19 milhões de reais, com destaque para propriedades rurais que totalizam quase 10 mil hectares. As aquisições incluem não apenas terrenos na região do Amapá, mas também em outras partes do país, onde ele tem investido em empreendimentos imobiliários.
A disputa de terras e o conflito com a comunidade de Lagoa de Fora
Pierre está atualmente envolvido em disputa por terras com a comunidade de Lagoa de Fora, uma área periférica de Macapá. Em 2025, Pierre iniciou a destruição de áreas de lazer e hortas comunitárias, alegando ser proprietário do terreno onde a comunidade está situada. A reportagem da piauí detalha como ele tem pressionado os moradores, tentando expulsá-los para expandir seus empreendimentos.
A situação gerou um impasse judicial, com a Defensoria Pública da União (DPU) entrando com uma ação para garantir que os moradores permaneçam em suas casas. A ação de Pierre foi interpretada como uma tentativa de esbulho (tomada indevida da propriedade) e ameaça, mas até o momento ele continua pressionando a comunidade, com a ajuda de seu sócio, Wilton Teixeira, da construtora Ariri.
Empreendendo com influência política
A ascensão de Pierre como empresário está diretamente ligada à sua relação com o primo Davi, um dos políticos mais influentes do Brasil. Segundo a reportagem, Pierre teria se tornado o operador dos negócios da família Alcolumbre, movimentando as empresas e terras em nome de Davi. Embora ambos neguem qualquer envolvimento direto nos negócios um do outro, a proximidade entre os dois é inegável, especialmente considerando o contexto de influência política que Davi exerce no Amapá.
A proximidade política entre Pierre e Davi permitiu que Pierre se beneficiasse de uma rede de contatos e privilégios. O Amapá, com sua complexa situação fundiária, é um terreno fértil para os interesses empresariais da família, onde o uso do poder político pode ser um fator determinante no sucesso dos negócios.
A herança da terra
A disputa sobre as terras no Amapá envolve um contexto jurídico peculiar, em que muitos terrenos estão em um limbo fundiário. A transferência de terras da União para o governo estadual do Amapá, que começou apenas em 2022, deixou muitas áreas sem documentação clara. A reportagem da piauí explica que, embora Pierre tenha regularizado algumas propriedades, a falta de definição das fronteiras de algumas terras gerou litígios, como no caso de Lagoa de Fora, onde os moradores afirmam que suas casas estão em terras que pertencem à União, e não a Pierre.
O caso continua a ser analisado pela Justiça, com a comunidade lutando para manter sua posse. A Defensoria Pública segue acompanhando a situação, mas as ameaças de despejo e a presença de seguranças privados indicam que Pierre não pretende ceder facilmente.

Saiba mais na reportagem da revista piauí.