A quitação antecipada da mansão do senador Flávio Bolsonaro, em Brasília, voltou ao centro das atenções após a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), durante operação da Polícia Federal realizada na quinta-feira (16).

O parlamentar financiou, em 2021, cerca de R$ 3,1 milhões para a compra do imóvel, localizado no Lago Sul e avaliado em aproximadamente R$ 6 milhões. O contrato previa pagamento em até 360 meses, com taxas entre 3,65% e 3,71% ao ano, acrescidas de correção pelo IPCA. A operação foi aprovada pela diretoria colegiada do banco.

Para obtenção do crédito, Flávio Bolsonaro declarou renda mensal de R$ 56.833,51. Desse total, parte vinha do salário como parlamentar, rendimentos de aplicações financeiras e cerca de metade era atribuída à participação em uma franquia da marca Kopenhagen, localizada em um shopping na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A renda familiar foi complementada com valores atribuídos à esposa, Fernanda Bolsonaro.

O financiamento foi quitado antes do prazo previsto, em 2024, após uma série de amortizações que variaram entre aproximadamente R$ 198 mil e R$ 997 mil. A antecipação do pagamento ocorreu após aportes adicionais feitos ao longo do contrato.

A origem dos recursos utilizados na compra e quitação do imóvel foi questionada em ação judicial movida pela deputada Erika Kokay, que levantou dúvidas sobre a compatibilidade entre a renda declarada e o valor do financiamento. Entre os pontos citados estavam as condições do crédito e o nível de comprometimento da renda familiar.

Em sua defesa, o senador afirmou que parte dos valores utilizados no negócio também teve origem em sua atuação como advogado. No entanto, essa fonte de renda não constava na composição apresentada ao banco no momento da contratação do financiamento.

A franquia de chocolates mencionada teve papel central na composição da renda declarada. O estabelecimento deixou de ser administrado pelo senador poucos dias após a formalização da compra do imóvel, em fevereiro de 2021, passando para a gestão do grupo responsável pela marca.

Posteriormente, o caso foi analisado por órgãos de controle. O Ministério Público do Distrito Federal concluiu que a operação seguiu as normas internas do BRB e não identificou favorecimento. Em julho de 2025, decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal considerou improcedente a ação contra o senador, sua esposa e o banco, apontando que o financiamento ocorreu dentro da legalidade.

A negociação do imóvel também envolveu empresas ligadas à família do antigo proprietário, e outros contratos com o banco foram registrados. Com a prisão do ex-dirigente do BRB, o financiamento e a quitação da mansão voltam a ser tema de apuração e repercussão.

Ipirá Notícias

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