“NO KINGS” – SEM REIS.

“NO KINGS” – SEM REIS.

Isso é força democrática; sociedade reagindo, ocupando espaço, impondo limites.

Mas não para aí.

Quando multidão vira presença constante, o recado muda de peso: o conflito já não está cabendo nas instituições – a rua vira pressão e sintoma.

E a mesma cena serve para dois discursos: para uns, defesa da democracia; para outros, prova de caos.

Hoje, quem conta melhor essa história ganha mais do que quem tem razão.

Dentro da CPAC, celebra-se Donald Trump; fora desse hub internacional da direita populista, milhões questionam exatamente esse tipo de poder.

Dois retratos do mesmo país; nenhum conversa com o outro.

Esse modelo político da CPAC – personalismo, conflito permanente, deslegitimação do adversário – não ficou nos EUA; ele circula.

Flávio Bolsonaro aparece nesse circuito e mostra afinidade com o método. E o método é simples: a relação com a democracia varia conforme a conveniência.

Os protestos não criam essa crise; eles simplesmente o expõem.

E quando metade do país passa a tratar a outra como ilegítima, eleição deixa de pacificar; só reorganiza o conflito.

A pergunta, no fim, não é sobre Trump; é sobre o jogo: isso ainda é democracia funcionando…

ou já é democracia em tensão permanente?

Julio Benchimol Pinto

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