
Na segunda-feira, o Brent chegou perto de US$ 120 e depois caiu para a faixa de US$ 90–92 quando Donald Trump disse à CBS que a guerra estava praticamente concluída e muito adiantada em relação ao cronograma. A Reuters registrou queda superior a 5% no dia seguinte, já com o mercado precificando descompressão e até uso de reservas estratégicas se a crise piorar.
Isso ajuda a entender a pressa. O problema não é apenas o custo militar da campanha, mas o risco de transformar uma guerra regional em choque global de energia. Cerca de um quinto do petróleo transportado por mar passa pelo Estreito de Ormuz, e o tráfego de navios-tanque chegou a praticamente parar desde o início dos ataques, com embarcações retidas fora do estreito.
Quando isso acontece, a lógica política muda. Guerra longa com petróleo nesse nível significa inflação, combustíveis mais caros, pressão sobre bancos centrais e desgaste político. Nos Estados Unidos, a alta do preço da gasolina já começou a gerar inquietação inclusive dentro do próprio campo republicano. O G7 reagiu dizendo que está pronto para agir, embora ainda tenha evitado liberar imediatamente reservas estratégicas.
Do lado iraniano, o cálculo parece outro. Kamal Kharazi disse à CNN que não vê espaço para diplomacia e sugeriu que o fim da guerra dependeria de custos econômicos capazes de forçar intervenção externa. Em paralelo, a Guarda Revolucionária ameaça bloquear exportações regionais de petróleo se os ataques continuarem.
Mesmo com cerca de 3 mil ataques aéreos americanos, segundo a CBS, o Irã continua lançando mísseis e drones, e o Pentágono confirmou a morte do sargento Benjamin N. Pennington após um ataque iraniano à base Prince Sultan, na Arábia Saudita.
A leitura mais sóbria é esta: Trump não sinaliza o fim da guerra por magnanimidade, mas porque o mercado de energia começou a impor um limite estratégico. Quando o petróleo entra em pânico, até império aprende a contar.
