
A Alemanha começou a admitir publicamente que a ordem internacional construída após a Guerra Fria está a ruir. Quando o chanceler alemão fala em “nova configuração global” e cita Brasil, Índia e África do Sul como parceiros estratégicos, isso não é conversa diplomática de corredor. É sinal de recalibração. A maior economia da Europa percebeu que depender exclusivamente dos Estados Unidos num cenário de tarifas, pressões comerciais e instabilidade política deixou de ser confortável. E quando Berlim começa a olhar para o BRICS com interesse, o mundo precisa prestar atenção.
Não se trata de um anúncio formal de adesão, mas de algo mais profundo: reconhecimento de força. O BRICS deixou de ser visto como bloco contestador e passou a ser polo real de poder econômico, energético e financeiro. A Alemanha sabe que o crescimento futuro está no Sul Global, sabe que precisa de minerais críticos, energia limpa e novos mercados consumidores. Aproximar-se desse eixo é estratégia de sobrevivência industrial. E quando uma potência industrial age por sobrevivência, não está brincando.
Se a Alemanha avançar nessa direção, o impacto será estrutural. A exclusividade americana sobre a Europa começa a enfraquecer e a multipolaridade deixa de ser teoria para virar prática. Isso muda o equilíbrio de poder global. O que está em jogo não é ideologia, é autonomia. E autonomia estratégica europeia combinada com BRICS forte significa um novo desenho geopolítico ganhando forma diante dos nossos olhos.

Moz na diáspora