
Exatamente na primeira hora do domingo (15/02), ao sair do escritório, passando pela sala de TV, vejo a imagem, sem som, da escola de samba “Gaviões”, se arrumando na concentração do Sambódromo no Anhembi, São Paulo, nos preparos finais que antecedem a entrada na passarela.

Fiquei olhando, por alguns segundos, e me bateu uma leve nostalgia. Lembrei quando passava por esses momentos, onde a ansiedade e euforia se misturam, muitos anos atrás. Me preparando para deitar, algumas pessoas da casa ainda conversavam, resolvi me prolongar um pouco mais. Para ver a entrada. Foi, como sempre, uma linda festa nas arquibancadas. Terminei de escrever um delírio que postei ” O Carnaval da APL”, vi mais um pouco, me retirei. Hoje pela manhã, nos jornais, vi os melhores momentos. Como, no dia anterior, tinha visto o da escola Vai-Vai. Me parece que as duas estão entre as grandes favoritas, para a conquista do título.

Ótimo. Vou torcer. Um pouco mais para a Fiel. Minha escola em São Paulo, antes de surgir a corintiana, é a Camisa Verde e Branco, que seria a última a se apresentar, já debaixo do sol. Leio que mais uma vez teve sérios perrengues, como mostra uma foto, quando já na dispersão, um caminhão quebrou. Deverá cair de novo, como a chula expressão, está parecendo “couro de pica”, sobe e desce, desce e sobe.

Mas algumas curiosidades relacionadas entre as três escolas em relação ao Corinthians: a Camisa tinha a chamada “Ala dos Boleiros”, que tinha como mentor o jogador Basílio, que convidava muitos colegas do…Corinthians. No bairro da Barra Funda, muitos fundadores, integrantes antigos, eram fanáticos torcedores. Agora, a Escola Vai-Vai, do Bexiga, bairro da Bela Vista, é um caso à parte. Durante anos teve uma Ala, chamada “Vai, Corinthians!”, criada por um dos maiores músicos, compositores da história do samba de São Paulo, o embaixador Osvaldinho da Cuíca, ainda vivo, impressionado com a quantidade de corintianos que integrava a escola. Fez até uma canção, com esse título, daí a expressão repetida até hoje: Vai, Corinthians!. A ” Gaviões da Fiel” surgiu no final dos anos 70, e Osvaldinho foi o intérprete do seu primeiro desfile. Fundamental lembrar também do percussionista Pato N’Água, assassinado pela ditadura militar, que foi o primeiro a levar os instrumentos e a batucada para as corintianas arquibancadas. Portanto, até a apuração ficarei, embora não vá perder o sono por isso, torcendo pela Gaviões ou Vai-Vai. Então: Vai, Corinthians! Vai Vai….Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro