
Os governos da Alemanha e da França, as duas maiores potências econômicas da União Europeia, pediram na quinta-feira (12/02) a demissão de Francesca Albanese, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos ocupados, que tem feito denúncias contundentes sobre o genocídio cometido por Israel na Faixa de Gaza.
A jurista italiana se tornou alvo de críticas após participar de um evento organizado pela emissora catari Al Jazeera, no último fim de semana. Lá, denunciou que o “inimigo em comum da humanidade é o sistema” em que potências mundiais fornecem cobertura política e apoio militar, além de financeiro, a Israel, possibilitando o genocídio. No entanto, Berlim e Paris acusam Albanese de supostamente insinuar que a humanidade tem Israel como um “inimigo em comum”.
“A França condena sem reservas as palavras ultrajantes e irresponsáveis da senhora Albanese, que miram não o governo israelense, cuja política pode ser criticada, mas Israel enquanto povo e enquanto nação”, declarou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, acrescentando que Paris pedirá a demissão da relatora na próxima reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 23 de fevereiro.
Já o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, acusou Albanese de dar “numerosas declarações inapropriadas no passado” e condenou suas “recentes falas sobre Israel”. “Sua posição é insustentável”, disse.
Em 9 de fevereiro, a relatora compartilhou em suas redes sociais o seu discurso feito no fórum da Al Jazeera em que faz uma exposição crítica ao Estado de Israel. “O inimigo em comum da humanidade é O SISTEMA que possibilitou o genocídio na Palestina, incluindo o capital financeiro que o financia, os algoritmos que o obscurecem e as armas que o permitem”, escreveu na legenda da publicação.
“O fato de que, em vez de deter Israel, a maior parte do mundo o tenha armado, fornecido justificativa política, cobertura política e apoio econômico e financeiro é um desafio. Se o direito internacional foi atingido em cheio, também é verdade que nunca antes a comunidade global enfrentou desafios como os que todos nós enfrentamos. Nós, que não controlamos grandes quantidades de capital financeiro, algoritmos nem armas, agora vemos que temos um inimigo comum enquanto humanidade”, disse Albanese, no vídeo.
A jurista já é alvo de sanções dos Estados Unidos por conta de um relatório no qual acusa Israel de ser responsável por “um dos genocídios mais cruéis da história moderna”, lista 48 empresas – inclusive norte-americanas – acusadas de financiar a “remoção dos palestinos dos territórios ocupados” e pede um “embargo abrangente de armas” contra Tel Aviv.
(*) Com Ansa
13 de fevereiro de 2026, às 13:40