Noto que muitas postagens, que pesco nesta rede, são referentes à atuação da imprensa em geral. Normalmente dando pau. Normal. Muitas vezes são merecidas as lambadas. Assim sendo, depois de passar um breve tempo deste sábado, dando uma passada por alguns veículos da imprensa escrita, que queiram ou não, ainda são representativos, sobreviventes, resolvi postar algumas impressões, mesmo que tênues. Não sou, nunca fui, nem beirei, ser o dito, ou maldito, ombudsman. Tampouco algum tipo de intermediário entre tais órgãos e os amigos, muitos jornalistas, como eu, com o seus nomes na minha lista. Fui claro: dei uma folheada superficial. Com a intenção, como do meu feitio, ser mais pragmático do que sectário. E evitar ao máximo, beirar o que chamo de ingenuidade. Quem vestir a carapuça ou subir nas tamancas, me desculpe, não quero polemizar com ninguém. Escrevo isso, porque, quase invariavelmente, se referem aos periódicos impressos ou eletrônicos até mesmo digitais, como se tivessem mudado demais a conduta da chamada grande imprensa. Tento entender como tantos colegas, que neles trabalharam durante anos, alguns em quase todos, se comportarem como disso não soubessem. No meu tempo não era assim. Por favor, não me venham com borzeguim ao meu leito. O clã dos Mesquitas sempre foi o clã dos Mesquitas.

O do Frias, do Frias. O do Civitta, do Civitta. O Globo do Marinho. E daí em diante. Até mesmo o histórico periódico ” Ultima Hora”, que se tornou grande pela qualidade editorial implantada pelo Samuel Wainer, nasceu tutelado pelo então presidente Getúlio Vargas. As empresas que comandam, sempre de uma forma ou outra, foi bajuladora dos poderosos. Ou bancadas pelos cunhos ideológicos. Aconteceram alguns hiatos, vamos dizer assim, aqui um exemplo: a Folha de São Paulo a tal reformulação, com o Cláudio Abramo, Alberto Dines, Matinas Suzuki, entre outros. E nomes no Conselho Editorial, como o do herdeiro Otávio, o cientista Cerqueira César, o escritor Otto Lara Resende. Lembrando que a Ditadura Militar nascida verde-oliva, já apodrecia. Novos ventos, a busca para atrair um novo leitor, que surgia no mercado, a empurrou mais para esquerda. Mais moderna e progressista. O mercado pedia, não a ideologia. O âmago da sua linha editorial. Ou do dono. Existiram muitos profissionais de puro sangue. Mas nunca cavalgando o alazão numa redação. As rédeas surgiam quando passado os limites dos interesses. Mesmo no aspecto comercial. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E quer manter o emprego. Só o Chico Buarque, no caso uma gravadora, escreveu a voz do dono e dono da voz. Mas esse assunto dá mais de metro. Já derivei demais. Deixei o agora para o depois. Então rápido, do que li, pouco: primeiro ressaltando a revista Piauí, como sempre. Ela pode. Só as chamadas da capa já me ganharam: À Sombra do Império. E melhor: A República Federativa do Master. A Veja a leviandade de muito, chega a ser patética sua perigosa forma de ludibriar. A capa e a manchete insinuam. A matéria, lá no fim, em míseras linhas, desmente suas próprias insinuações. O Estadinho, nenhuma novidade: um edital contundente e eloquente ao partido situacionista. Espero que não queiram a volta das receitas de bolo. O país ao menos respira a democracia. Enfim a Folha. Nem mole e nem dura. O jeito frapê. Me chama a atenção um pequeno título perdido no fim da primeira página: ” Trump publica e depois apaga vídeo racista de Obamas como macacos”. Assim, juro! Tudo, tudo mesmo, um horror. E claro, o sobrenome no plural é de doer. Não pode ser. Ninguém, nem um novo manual, vai me

provar o contrário. O tal diretor de redação Sérgio D’Avila, ao menos uma vez ou outra lê a folha?- Assim termino este catatau na forma afirmativa: para a incompetência, a ignorância, e a falta de aprendizado, não se faz necessário falar em ideologia. Na fé. E Saravá.

Gilson Ribeiro

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