Os rios que sempre alimentaram a comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami, foram envenenados pelo garimpo ilegal e pelo mercúrio. Os peixes sumiram, a carne ficou dura, com gosto estranho, e a pergunta era uma só: como alimentar quase 400 pessoas com segurança? Diante dessa realidade dura, o próprio povo indígena decidiu virar o jogo construindo tanques para criar peixes em água limpa.

Hoje, em vez de depender do rio contaminado, os Yanomami de Sikamabiu cuidam de 10 tanques e dois açudes escavados, onde já nadam mais de 8 mil alevinos de tambaqui. A piscicultura foi implantada com apoio técnico, mas quem toca tudo no dia a dia são 34 indígenas capacitados para cuidar da água, da ração e do momento certo da colheita. O foco não é vender nada para fora: o objetivo é garantir comida segura para o próprio povo.

O projeto não para no peixe. A água dos tanques é reaproveitada na irrigação das roças, em um sistema de fertirrigação que nutre mandioca, batata e arroz sem fertilizantes químicos. É um ciclo em que uma produção alimenta a outra, reforçando autonomia e dignidade. Assim, em vez de viver só de cestas básicas que chegam com dificuldade, as famílias voltam a produzir seu próprio alimento no território.

Mais que uma tecnologia, esses tanques representam resistência. Depois de anos de violência ambiental e crise humanitária, os Yanomami mostram que, quando têm apoio e respeito, são plenamente capazes de reconstruir a própria segurança alimentar e continuar na terra de onde nunca deveriam ter sido expulsos pelo garimpo.

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